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domingo, 14 de agosto de 2011

Os papéis do Papel - Post 5


                   O desenho livre como descrevi no último Post, é um excelente recurso para ser utilizado com crianças, já que é um canal de expressão natural. Neste caso, é interessante oferecer um papel resistente. As crianças dependendo de sua idade ou limitação física podem ter dificuldade de controlar a força das mãos e rasgar o desenho se o papel for muito delicado, melhor oferecer papéis com 90g ou mais. Podem ser oferecidos também cartolina, papel cartão e outros resistentes.
                   Se o grupo for composto por adultos enfrentamos outros obstáculos e entre eles talvez o maior seja o constrangimento com relação ao ato de desenhar, principalmente se for um público que não tem por hábito desenhar. Para isso existem muitas técnicas que diminuem esse desconforto.
                   Um relaxamento é fundamental, depois dele todas as atividades são facilitadas, este pode ser acompanhado por uma música suave, ou uma história contada pelo coordenador da atividade. As técnicas do desenho cego podem ajudar: desenho com olhos vendados, desenho com ponta seca sobre papel carbono, desenho com a mão menos dominante, desenho com os pés, com a boca, e outras técnicas que tem por objetivo diminuir a sensação de constrangimento sobre o próprio trabalho, contribuem para que a atenção se foque sobre outros resultados, como sentimentos, lembranças e outros aspectos psicoemocionais. Para estas técnicas podem ser utilizados papéis a partir de 60g, isto para desenho com materiais secos: lápis, caneta esferográfica, giz de cera, pastel, carvão e outros. Caso seja canetinha, pincel atômico, nanquim e outros materiais riscantes úmidos ou desenho com pontas agudas como agulhas ou grafites duros é melhor utilizar papéis acima de 75g. Existem muitas possibilidades de trabalho com desenho em arte terapia, voltarei a falar sobre elas mais adiante. Neste tópico em que falo sobre os papéis para registro gráfico, cabe ainda lembrar as monotipias, a frotagem e as gravuras. Entre essas as derivadas da xilogravura, que pode ser feita sobre isopor, linóleo e outros materiais, apesar de desenhar-se em outro suporte( isopor, madeira, linóleo...), seu registro se dá sobre o papel; para isto se deve utilizar papeis espessos e porosos, para que a tinta utilizada para registrar a gravação não borre ou rasgue a folha. As técnicas possíveis de ser utilizadas para a realização do trabalho de arteterapia são muitas porém não podemos perder de vista que o fazer na arteterapia tem uma significação diferente do fazer artístico.
                   Na arteterapia todo o material eleito tem um objetivo, mobilizar recursos para a melhora da qualidade de vida das pessoas. Por isso a responsabilidade na hora de escolher o material está diretamente ligada ao sucesso do processo em seus objetivos. Imaginem um grupo trabalhando autoestima, ter seus desenhos rasgados ou borrados por falta de adequação do papel? Que tipo de sentimentos esses trabalhos realizados despertarão nos participantes? É bastante adequado que aqueles arteterapeutas que venham de outras áreas de formação que não a das artes, tais como pedagogas, médicos, psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais e outros profissionais; busquem participar de um atelier onde possam desenvolver maior intimidade com as técnicas e materiais de expressão plástica, assim como a busca de um grupo de arteterapia onde possam vivenciar as técnicas. Nós arteterapeutas aprendemos muito quando nos reunimos para vivenciar a arte.

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