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domingo, 28 de agosto de 2011

Os papéis do Papel – Post 7 - Interação pictórica com materiais diversos.


     

          Oi espero hoje colaborar para ampliar as possibilidades de exercícios com a linguagem pictórica em papel. Como já havia dito, a pintura sobre o papel com tintas e pigmentos exige um papel com gramatura maior, mas existem outras intervenções que podem ser consideradas aqui, já que a pintura é uma relação que se estabelece com as cores, como elas adquirem  ou produzem significados para nós.
          Existem várias maneiras de se colorir o papel sem ser com tintas, ou seja utilizando as cores pré-existentes em vários materiais. Quando pensamos desta forma é muito importante nos preocuparmos com a base sobre a qual se fará o trabalho. Ela deve ser de um papel grosso, como um papelão, cartolina, papeis de caixas e outros. Esta recomendação se dá porque na colagem de elementos coloridos como pós, grãos, folhas, papéis coloridos e outras, se utilizarmos papéis frágeis teremos rupturas, porque ele tende a derreter com a umidade da cola.
           Utilizando papelão ou papel cartão, podemos trabalhar com a colagem ou com a despintura, caso seja um papelão colorido, como caixas ou cartazes. Para a destintura podemos propor a utilização de um material pontiagudo, como agulhas, estecas, goivas, estiletes ou canetas com ponta de metal, velhas, sem tinta.
           Outra forma de despintura, é a utilização de pinceis ou outro material como varinhas canudinhos... para isso basta usar solvente(não tóxico) ou  Cloro(queboa)para descolorir papéis coloridos como os de revistas,cartazes, papéis de seda, crepon, colorset, etc. Nestes tipos de atividades ao invés de adicionarmos pigmentos retiramos eles conseguindo uma nova configuração cromática.
           Estas não são as únicas formas de pintura não convencional, mas apenas algumas alternativas que podem ser ferramentas úteis na arteterapia. Se você quiser conhecer outras, acesse os sites de Museus de Arte contemporânea, você vai encontrar muitas outras maneiras de intervenção pictórica. Se na sua cidade houver um Museu de Arte Contemporânea ou uma exposição itinerante,  dê uma voltinha e estimule sua criatividade!



domingo, 21 de agosto de 2011

Os papéis do Papel – Post 6 - Papéis para interação pictórica.

                    Quem já não pensou o que se passa na cabeça de um artista enquanto pinta? Existem pinturas das mais variadas formas, figurativas ou não, já que cada ser tem um jeito único de pintar apesar da técnica que utilize. E por que é tão singular? A eleição das cores, claras, escuras, vibrantes ou neutras; do tipo de tinta, espessa, pastosa, aguada... Todas estas escolhas acontecem conscientemente ou não, porém intimamente ligadas ao que vai no interior de quem pinta, costumo dizer que quando eu pinto coloco para fora um universo particular. Assim, quando trabalhamos com a pintura em arteterapia isso toma um foco um pouco diferente, mas não menos importante, pois é neste universo de cada um, que junto com nossos interagentes vamos trabalhar em busca de novas descobertas. Sendo assim ao propormos uma atividade com tinta e papel temos que ter alguns cuidados anteriores: saber especificamente qual é o objetivo da atividade, escolher dentre as possibilidades a mais adequada para aquele grupo ou pessoa, escolher um papel que suporte a tinta que vamos oferecer... O aconselhável é que seja bem espesso, cartolina, papel cartão, Papelão... Com excessão das aquarelas e aguadas que são mais exigentes, necessitam um papel bem absorvente alem de espesso. Se você for trabalhar com papéis reutilizáveis, certifique-se de que este não seja encerado ou plastificado ( geralmente são brilhantes). Outro cuidado interessante é de se oferecer a possibilidade de trabalhar em pé. Por que? Porque assim a ação do interagente com o muda em relação ao papel. neste caso precisaremos bases em cavaletes, painéis ou mesmo pranchetas... A pintura deve secar apoiada sobre uma base simples. Ah e não podemos esquecer, com aquarelas ou aguadas, devemos secar bem para depois transporta-la. Espero ter sido clara sobre a utilização do papel:

  • Quanto mais líquida for a tinta maior a gramatura do papel e maior sua porosidade!
Se você quiser saber mais sobre tipos de papéis vá até
http://www.emporiomichelangelo.com.br/papeis.htm 

domingo, 14 de agosto de 2011

Os papéis do Papel - Post 5


                   O desenho livre como descrevi no último Post, é um excelente recurso para ser utilizado com crianças, já que é um canal de expressão natural. Neste caso, é interessante oferecer um papel resistente. As crianças dependendo de sua idade ou limitação física podem ter dificuldade de controlar a força das mãos e rasgar o desenho se o papel for muito delicado, melhor oferecer papéis com 90g ou mais. Podem ser oferecidos também cartolina, papel cartão e outros resistentes.
                   Se o grupo for composto por adultos enfrentamos outros obstáculos e entre eles talvez o maior seja o constrangimento com relação ao ato de desenhar, principalmente se for um público que não tem por hábito desenhar. Para isso existem muitas técnicas que diminuem esse desconforto.
                   Um relaxamento é fundamental, depois dele todas as atividades são facilitadas, este pode ser acompanhado por uma música suave, ou uma história contada pelo coordenador da atividade. As técnicas do desenho cego podem ajudar: desenho com olhos vendados, desenho com ponta seca sobre papel carbono, desenho com a mão menos dominante, desenho com os pés, com a boca, e outras técnicas que tem por objetivo diminuir a sensação de constrangimento sobre o próprio trabalho, contribuem para que a atenção se foque sobre outros resultados, como sentimentos, lembranças e outros aspectos psicoemocionais. Para estas técnicas podem ser utilizados papéis a partir de 60g, isto para desenho com materiais secos: lápis, caneta esferográfica, giz de cera, pastel, carvão e outros. Caso seja canetinha, pincel atômico, nanquim e outros materiais riscantes úmidos ou desenho com pontas agudas como agulhas ou grafites duros é melhor utilizar papéis acima de 75g. Existem muitas possibilidades de trabalho com desenho em arte terapia, voltarei a falar sobre elas mais adiante. Neste tópico em que falo sobre os papéis para registro gráfico, cabe ainda lembrar as monotipias, a frotagem e as gravuras. Entre essas as derivadas da xilogravura, que pode ser feita sobre isopor, linóleo e outros materiais, apesar de desenhar-se em outro suporte( isopor, madeira, linóleo...), seu registro se dá sobre o papel; para isto se deve utilizar papeis espessos e porosos, para que a tinta utilizada para registrar a gravação não borre ou rasgue a folha. As técnicas possíveis de ser utilizadas para a realização do trabalho de arteterapia são muitas porém não podemos perder de vista que o fazer na arteterapia tem uma significação diferente do fazer artístico.
                   Na arteterapia todo o material eleito tem um objetivo, mobilizar recursos para a melhora da qualidade de vida das pessoas. Por isso a responsabilidade na hora de escolher o material está diretamente ligada ao sucesso do processo em seus objetivos. Imaginem um grupo trabalhando autoestima, ter seus desenhos rasgados ou borrados por falta de adequação do papel? Que tipo de sentimentos esses trabalhos realizados despertarão nos participantes? É bastante adequado que aqueles arteterapeutas que venham de outras áreas de formação que não a das artes, tais como pedagogas, médicos, psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais e outros profissionais; busquem participar de um atelier onde possam desenvolver maior intimidade com as técnicas e materiais de expressão plástica, assim como a busca de um grupo de arteterapia onde possam vivenciar as técnicas. Nós arteterapeutas aprendemos muito quando nos reunimos para vivenciar a arte.

domingo, 7 de agosto de 2011

Os papéis do Papel. Post-4 Papéis para registro gráfico.

              É pelo desenho que eu inicio esta exploração sobre os muitos papeis que o papel pode assumir neste contexto. Aqui não falo somente do desenho de desenhistas, arquitetos ou artistas plásticos; refiro-me também aos rabiscos e desenhos infantis, que todos nós fizemos quando criança e em todo o nosso desenvolvimento até aqui. Vocês já pararam pra pensar que um dia desenharam? Ainda desenham? Ainda se lembram? Muitas vezes com o passar dos anos nos esquecemos disto, junto com outras lembranças, doces ou amargas, alegres ou tristes, aconchegantes ou muito duras. Num encontro de arteterapia uma das possibilidades terapêutica é o desenho e lá está o papel. Porém a sua utilização como suporte para o desenho revela o primeiro de seus muitos papéis. Este por sua vez refere-se à expressão humana que ele revela e é sobre isto que vamos nos debruçar.
Para obter melhores resultados é necessário que nós conheçamos um pouco sobre as qualidades do material. Existem muitos tipos de papel e sendo todos formam uma superfície, todos se prestam ao desenho. É certo que quanto mais liso, menos aderência o mesmo terá ao material riscante; sendo do tipo grafite, lapiz-de-cor, canetinhas, giz de cera giz pastel e bastões de carvão ou pontas secas; principalmente se este papel for encerado, laminado ou plastificado. Algumas empresas disponibilizam muitas informações bastante específicas sobre cada tipo de papel e suas aplicações, porém na maioria tratam da aplicação para a industria. Duas das que encontrei são:
Devemos ter em conta que os papéis para o desenho mais utilizados são o sulfite, o vergê e o canson a partir de 75g/m²,reciclado ou clareado, pois rasgam e amassam com menos facilidade. Já a cor depende de nossa proposta, se for integrativa, disponibilizaremos papéis de formato e cor igual para todo o grupo. Já se for trabalhar as diferenças ou qualidades individuais, quanto mais variado em tamanho e cores melhor. Ao buscar exemplos convido você a observar alguns desenhos que resultaram de outro trabalho realizado anteriormente durante a especialização em arteterapia - Arteterapia com militares: um recurso terapêutico na redução do stress[1] - para buscar nele alguns exemplos de como trabalhamos com o desenho em arteterapia. Para começar é preciso estar aberto, para perceber aquilo que está a nossa frente, tudo é importante: 
  • A folha escolhida: quando queremos conhecer um grupo, uma boa opção é oferecer o papel em vários formatos e tamanhos, a escolha de um ou outro modelo com certeza será reflexo de uma condição interior.  
  • distribuição do desenho;
  • força da expressão;
  • os espaços vazios;
  • as cores; e a relação que é estabelecida entre o papel e o desenhista...











No próximo post (5), vamos nos deter um pouco sobre algumas técnicas de desenho, gravura e frotagem. Para saber mais sobre as possibilidades do desenho sugiro alguns autores como: Arnhem, Bergere, DerdiK; por serem referência na leitura visual.

ARNHEIM, Rudolf. Arte e Percepção Visual. São Paulo - SP. EDUSP. 1980.
BERGER, John. Modos de Ver. Lisboa. Edições 70. 1987.
DERDIK, Edith. Formas de Pensar o Desenho. São Paulo: Ed. Scipione,
BARRETO,Eliane. Arteterapia com militares: um recurso terapêutico na redução do stress.O Cuidador-revista dos cuidadores. Porto Alegre. 2009www.ocuidador.com.br/2009/04/o-cuidador-3-revista-dos-cuidadores.html



[1] Barreto, Eliane. Arteterapia com militares: um recurso terapêutico na redução do stress  O Cuidador-revista dos cuidadores. Porto Alegre. 2009www.ocuidador.com.br/2009/04/o-cuidador-3-revista-dos-cuidadores.html