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domingo, 24 de julho de 2011

Os papéis do Papel. Post-2- Das origens...


A maioria de nós sabe que a nossa sociedade atual está assentada sobre o papel. Os Livros sagrados, os profanos, as receitas, os códigos de lei; em fim os acordos comerciais, a ética e também boa parte da expressão plástica e literária foram feitos tendo papel como base. Num primeiro momento percebemos que ele nos acompanha há muito tempo, mas não podemos perder de vista que ele foi, no inicio, quase que uma obra do acaso. Nossas expressões já vinham sendo registradas desde a pré-história nos meios possíveis: chão, paredes, pedras, ossos, couro, cerâmica e outros materiais serviram como suporte para a manifestação gráfica humana. Vou dedicar este capítulo a esta referência tão importante para podermos seguir pensando sobre os muitos papéis que o papel pode tomar no trabalho com a arteterapia. Em 1575 François de Belleforest[1] confirmou ou a existência destas manifestações na forma de desenhos e ou pinturas na gruta Rouffignac, tão significativas quanto as de Altamira na Espanha. Ambas são vestígios claros da expressão do homem pré-histórico através do desenho e da pintura.
Pela própria proporção destes desenhos podemos pensar quanto de emoção daqueles homens carregam estas imagens.  O desejo pela caça, o temor, o impacto destas imagens na vida daqueles homens foi possivelmente o que levou à sua necessidade de expressão. Fayga Ostrower[2] cita em sua obra a importância das artes para a formação da pessoa, sobretudo, pelo ato de desenhar, gesto este que é natural acontecer em todas as crianças de qualquer parte do mundo, qualquer cultura e em qualquer suporte. Mas com o surgimento do papel, na China em Hunan, inventado por T'sai Lun. Os processos de sua fabricação desenvolveram-se lentamente, e também a divulgação desta técnica pelo mundo, sendo levada por monges para o Japão e chegando à Europa aproximadamente dez séculos depois.
   Nosso protagonista também adquiriu muitas funcionalidades tanto como suporte, como meio de intervenção ou material escultórico. Nos próximos posts me dedicarei às diversas aplicações às quais vivenciei, tanto no percurso das artes como em atendimentos. Estas estão intimamente ligadas pelas técnicas e mesmo em algumas propostas, válidas para a ampliação da saúde num aspecto integral com a prática da arteterapia.

1- PLASSARD, Jean (1999), Rouffignac, le sanctuaire des Mammouthes, Éditions du Seuil, Paris, 99 p.

2- OSTROWER, Fayga. Arte pré-histórica. In: Universos da Arte. 13ª Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1983. p 294-308.

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