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sábado, 30 de outubro de 2010

HÁ SEMPRE UM COPO DE MAR PARA UM HOMEM NAVEGAR

 
“29ª Bienal de São Paulo está ancorada na idéia de que é impossível separar arte e política. Impossibilidade que se expressa no fato de a arte, por meios que lhes são próprios, ser capaz de interromper as coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo nele temas e atitudes que ali não cabiam ainda, tornando-o assim maior e diferente”. Logo que entramos no site desta edição percebemos que esta é uma mostra que se propõe a se inserir no plano do subjetivo-real-relacional. Como a curadoria se coloca com a intenção de buscar uma manifestação de arte que não more nem nos rasgos da subjetividade pessoal, nem no interior dos museus, podemos esperar algo de uma arte que se move e acontece dentro e fora de nós de forma integrada, algo que nasce do homem que existe em relação.
Pela própria forma de propor conexões a arte contemporânea pode ser vivenciada de diversas formas: como expectador, como artista, crítico, interagente... Gostaria de citar esta última como minha preferida, através da qual, público, artista obra e mundo encontram-se em constantes trocas e conseqüentemente em crescimento pela ressonância das suas existências... Como diz o poeta “existirmos a que será que se destina?” Da mesma forma esta é a pergunta que me ocorre quando sou tocada por uma obra de arte; onde em mim ela reverbera?
Porque quando sou tocada? Simples, nem toda obra vai completar este movimento em mim, visto que somos seres tão complexos e únicos, não poderíamos esperar respostas previsíveis que tocassem a todos igualmente, estamos falando de arte. Um mesmo trabalho pode a mim dizer mais que sua referência teórica e a outro interagente absolutamente nada. Os parâmetros estéticos que foram base para a busca do processo artístico do passado, na forma na técnica, no próprio conceito e definição do que é arte e de como e o que apreciar ou odiar nela, hoje figuram como roupas de época, adequadas ao seu tempo e lugar, mas muito desconfortáveis para viver a arte hoje.
Qual é a saída? Não há um caminho, tantas são as possibilidades de se vivenciar esta arte... mas temos algumas possibilidades: estejamos despojados dos pré-conceitos. Busquemos conhecer os artistas antes da visitação do espaço da bienal, da mesma forma que não costumamos sair com um desconhecido! Se o tempo for curto escolha alguns para conferir seus trabalhos sabendo do que se trata. Estes grandes eventos de arte que contribuem muito para o fomento cultural, popularizando o acesso, porém corre-se o risco de não estarmos preparados socialmente para vivenciá-lo conscientemente. Mantermo-nos em um estado de curiosidade infantil,,, receptivos porém questionadores. E prontos para vivenciar a liberdade de navegar num mar com tantas possibilidades. Proponho que nos manifestemos sobre aquilo que vivenciarmos para os outros, para que arte circule em redes cada vez mais amplas... e nossos copos de mar se juntem num oceano de ricas vivências de arte.

Um comentário:

Adolescendo em Verso & Prosa disse...

esse espaço é fantastico...abraços mil!!