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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Baixa Visão? Oque fazer?

Abaixo coloco pra vocês uma entrevista que tira muitas dúvidas sobre a baixa visão, suas causas, tipos e tratamentos. Foi feita, pelo Doutor Dráuzio Varella, com a Dra. Maria Aparecida Haddad, que é coordenadora clínica do Instituto Laramara.


Dra. Maria Aparecida Haddad é coordenadora clínica do Instituto Laramara, da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual e colaboradora do Ambulatório de Visão Subnormal do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Cegueira e baixa visão
Drauzio – Como se estabelece a diferença entre cegueira e baixa visão?
M. Aparecida Haddad – Quando abordamos a deficiência visual, consideramos a criança ou o adulto cegos ou com baixa visão. Qualquer que seja a idade, a pessoa é cega quando não tem percepção de luz. Para ela tudo é escuro. Para classificar a baixa visão, utilizamos a escala numérica da medida da acuidade visual. Lembrando que a visão normal é 20/20, a baixa visão vai de 20/60 até a falta de percepção de luz.

Drauzio – Pode-se dizer que, teoricamente, tem deficiência de visão a pessoa que enxerga três vezes menos do que o normal?
M. Aparecida Haddad – Enxerga no mínimo três vezes menos do que a pessoa normal. É importante lembrar que as medidas de acuidade visual indicam a deficiência quando a pessoa apresenta alteração mesmo depois do tratamento clínico ou cirúrgico para a doença ocular de base e o uso dos óculos adequados. Não fosse assim, seria considerada com baixa visão a pessoa que tivesse oito graus de miopia, o que não é verdade. Portanto, essa classificação só cabe quando o paciente passou por todos os tratamentos possíveis para a doença ocular de base e já foram tentados todos os recursos óticos disponíveis para melhorar a visão.

Drauzio – Quais são os parâmetros para estabelecer o critério de baixa visão e cegueira?
M. Aparecida Haddad - Falar de baixa visão é diferente de falar em cegueira. Na cegueira, existe um padrão único de resposta, ou seja, a pessoa não enxerga nada. Para entender o que se chama de baixa visão, de acordo com a classificação da Dra. Faye da Universidade de Nova Iorque, há três padrões diferentes.
Primeiro: a pessoa pode ter uma alteração da transparência dos meios óticos, ou seja, as estruturas que são transparentes podem perder a transparência. Por exemplo: a perda da transparência do cristalino por causa de uma catarata não operada ou uma cicatriz na córnea.
Segundo: cicatriz na região central da retina, na mácula ou fóvea para onde converge a imagem, pode provocar um defeito no campo visual que obriga a pessoa a posicionar a cabeça e o olhar de tal modo que a visão seja jogada na área da retina que permanece viável.
Terceiro: fechamento do campo visual por doenças oculares, como o glaucoma ou a retinose pigmentar. Nesse caso, a pessoa vai perdendo o campo periférico até que só lhe resta a visão em tubo. Como conseqüência, perde a orientação espacial e precisa realizar uma varredura maior no ambiente para reconhecê-lo e localizar-se.
O critério de baixa visão segue esses três padrões de resposta, que são diferenciados, porque dependem da alteração da acuidade visual ou de outras funções como sensibilidade ao contraste, percepção das cores e intolerância à luminosidade.

Drauzio – O que se deve fazer quando se diagnostica deficiência visual importante numa criança?
M. Aparecida Haddad – Quando o oftalmologista detecta deficiência visual numa criança, deve encaminhá-la a serviços especializados para ser submetida a uma avaliação. Por meio de testes, serão analisadas todas as suas funções visuais a fim de compreender como essa criança está enxergando. Saber isso é importante porque, no processo de reabilitação visual, esse dado será transmitido aos profissionais da área de educação que vão dar apoio à inclusão da criança com baixa visão na escola comum. O professor precisa saber como exatamente a criança enxerga para fazer alterações no ambiente e no material de modo a favorecer o melhor desempenho visual possível.

Drauzio – Como é o encaminhamento dos adultos com deficiência visual importante?
M. Aparecida Haddad – Os adultos também são encaminhados para avaliação a fim de estudar-lhes a função visual e compreender como estão enxergando. Tanto na criança em idade escolar como no adulto, considera-se sempre a possibilidade de melhorar a visão por meio de recursos especiais. Os mais utilizados são os óculos adaptados com adições fortes para ampliar a imagem retiniana. Porém, se essa imagem aumenta quando a pessoa aproxima um texto ou objeto do olho, o foco fica prejudicado pela distância reduzida e são necessárias lentes positivas especiais para recuperar o foco a imagem não ficar borrada. Esse distúrbio é freqüente nos idosos que já não têm mais a capacidade acomodativa de foco. Na criança, que tem essa capacidade a curta distância, os resultados costumam ser melhores. Existem outros recursos como as lupas manuais ou de apoio e os sistemas telescópios que aumentam a imagem na retina. Utilizando maior número de fotorreceptores, esses recursos aumentam também a informação que vai para o cérebro, o que melhora a resolução visual.

Drauzio – Muitas mães acham que o uso do computador pode comprometer a visão da criança. Tem procedência essa preocupação?
M. Aparecida Haddad – Não tem e também não faz mal sentar perto da tela da televisão. Acontece, porém, que, quando mantemos um longo período de trabalho diante do computador, estamos nos valendo de uma visão muito próxima que demanda maior esforço visual. É diferente de olhar para o infinito. Pousados no infinito, nossos olhos estão em repouso. Por isso, pessoas que usam o computador o dia inteiro, com certeza terão cansaço visual maior. A recomendação é que intercalem períodos de trabalho com períodos breves de repouso. Olhar para o horizonte, por exemplo, é boa sugestão. Outro fato importante a considerar é que, concentrados no trabalho, piscamos menos, a lubrificação do globo ocular diminuiu e o olho fica mais ressecado. Portanto, diante do computador, precisamos lembrar de piscar ou, então, de fazer uso de lágrimas artificiais para manter os olhos úmidos.

Drauzio – Que conselhos você dá para quem quer manter boa visão pela vida toda?
M. Aparecida Haddad – Mesmo que não tenha nenhum problema de visão, a pessoa deve fazer uma avaliação oftalmológica por ano. Se aparecer alguma alteração ocular, como vermelhidão nos olhos ou leve embaçamento, o oftalmologista deve ser consultado. Pingar colírios nos olhos sem a indicação de um profissional médico é absolutamente contra-indicado. Muitos colírios provocam efeitos colaterais graves. Os que contêm corticóides podem aumentar a pressão intra-ocular ou provocar quadros de glaucoma e catarata. Outro conselho é que os pais levem em consideração as queixas visuais das crianças, como dor de cabeça, baixo rendimento escolar ou aproximação exagerada do aparelho enquanto assiste à televisão. Muitas vezes, é possível observar a resposta visual de uma criança com um simples tampão. Cobre-se um olho e pede-se para que realize alguma atividade. Repete-se a operação com o outro e compara-se o desempenho dos dois olhos separadamente. Essa estratégia ajuda a verificar como a criança enxerga com cada olho.
Site: www.laramara.com.br

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