Entre para este grupo!

domingo, 12 de outubro de 2008

Vendo as coisas com outros olhos!!!


Eni D’ Carvalho 
Não toque. Don’t Touch. No toque. Non tocchi. Ne touchez pas. Desculpem aí eventuais erros mas placas como essas estão espalhadas em todos os museus e galerias ao redor do mundo. Nem imagino como serão em japonês ou árabe mas estarão lá. Claro que isso é perfeitamente justificável no sentido de preservar obras de arte que não resistiriam aos milhões de toques se não est

ivessem protegidas por vidros, barreiras e correntes de isolamento, alem das placas de aviso.O que restaria da Mona Lisa se estivesse ao alcance de todos os seus visitantes? As

 placas são, portanto, uma advertência óbvia e necessária no sentido de preservar patrimônios irrecuperáveis. Mas o que dizer àquelas pessoas que não podem ver, para as quais o amarelo de van Gogh não pode ser traduzido? Que sentido tem a palavra vermelho para aqueles que nunca distinguiram as cores? Essas pessoas, alem da visão, estão também privadas da arte? Na maior parte das vezes, infelizmente, a resposta é um categórico e incomodativo sim. Esse sim é de tal forma incomodativo para Eni D’ Carvalho

 que ela mal começou sua vida de artista, redirecionou todo o seu talento e criatividade procurando atingir o 

coração dessas pessoas.

Veja com as mãos. Talvez você encontre uma placa assim em Braille em uma exposição organizada por Eni D’ Carvalho – vendo com os olhos do coração

Eni D’ Carvalho usa texturas, formas, aromas, movimentos, vibrações, temperatura, resistência, peso, relevos, reentrâncias e proeminências, dimensões, acidentes, contornos, configurações, sons, música e seja lá o que venha em sua mente criativa para fazer-se perceber por aqueles que não podendo ver com o

s olhos, mantém abertas as portas do coração e da sensibilidade, da inteligência e da curiosidade, para perceber o mundo com os sentidos e com as capacidades que lhes estão disponíveis. A julgar pelos comentários deixados pelos que visitaram suas exposições os resultados ultrapassam amplamente o nível do bom e beiram a classificação do fantástico.

Tridimensionalidade – necessidade óbvia

O trabalho de Eni D’ Carvalho é feito para ser tocado, exatamente por conta da idéia central de destinar-se aos deficientes visuais. Isso significa um desprezo pelas cores? Em absoluto. É fácil perceber a intenção da tridimensionalidade mas é fácil também perceber-se o entusiasmo pelas cores vibrantes e absolu

tamente tropicais que emprestam aos quadros um visual também bonito. Pode sentir-se o trabalho da artista de todas as maneira e em todas elas o efeito é poderoso. Mas certamente ela já pensa em mudar tudo isso porque deseja sempre inovar e desafiar os interlocutores para novas formas de percepção. O que inventará agora? Não sabemos. Provavelmente ela também não mas fazemos um julgamento por uma frase que nos mandou: “quando a gente acha que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.”

E você? De que maneira está olhando tudo isso? - desafio

Os depoimentos são definidores. “A exposição deve ter o nome de “Luz da Alma”, pois permite ao deficiente visual em sua visão imaginária, idealizar uma obra de arte , uma vez que as obras de artes normais não podem ser tateadas.” Ficamos a comparar qual o mais importante para o sentir, se o tato ou a visão e a resposta, aparentemente óbvia, tem lá motivos para muitos devaneios da imaginação. A artista Eni D’ Carvalho nos oferece um trabalho bonito que ultrapassa uma barreira que só raramente é sentida. Na maior parte das vezes quando os artistas pensam em formas e cores, lembram apenas de uma maneira peculiar de percepção com os olhos. E nas galerias, coloca-se imediatamente uma placa estabelecendo limites: “não toque”. Eni arranca a placa e atinge um outro universo, desconhecido para a maior parte de nós.

Museu BlindArt na Inglaterra - Invisuais

Claro que não é a única pessoa a preocupar-se com isso. Na Inglaterra, o BlindArt é uma instituição destinada a produzir e oferecer um ambiente de artes visuais para aqueles que não podem ver, produzida por artistas que também não podem ver e por artistas que tentam compreender essa limitação e suplanta-la, como faz Eni. Conhecido mundialmente o museu promove exposições sistemáticas e cria um ambiente de trabalho profissional, desenvolvendo atividades de largo alcance, sem discutir o que é mais importante, o tato ou a visão, porque esse debate não tem resposta definitiva e nem importa como coisa prioritária. Cada um deve exercer a sua capacidade, vendo com os olhos da alma. É isso o que Eni D’ Carvalho faz. Alem de usar texturas, cheiros, sons, tudo o que pode ser percebido com os outros sentidos, sem perder o contato com as cores, mistura tudo com as vibrações do seu espírito. E consegue ser eloqüente.

Eni D’ Carvalho - ferthi@pib.com.br          

Por Ronaldo Carneiro Leão – vendo as coisas com outros olhos 
E Rê Rodrigues - sentindo com os olhos da alma                                                

 

Nenhum comentário: