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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Inclusão... Sempre desafiando!!!

O Desafio da inclusão e o papel das artes (Fábio Adiron)


A convite do núcleo Morungaba participei de um debate sobre esse tema, junto com a Mara Gabrili (então Secretária Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida) e a Helena Maranhão (da cooperativa Pé com Mão da APAC - Associação de Pais e Amigos da Criança com Deficiência Neuromotora).
Qual é o Desafio da Inclusão?
O grande desafio da inclusão é acabarmos com a sua necessidade. Ponto!
Uma sociedade que não precise mais ter secretarias especiais, porque todas as secretarias estarão preocupadas com todos. Uma sociedade que não fique exageradamente feliz quando a Helena conta que acabou de se formar em Biblioteconomia. Uma sociedade onde o Fábio não precise adjetivar a educação que será de todos.
Esse termo só aparece nas nossas vidas quando começamos a nos dar conta de quantos estão excluídos, e estão excluídos por motivos essencialmente econômicos, não vamos nos iludir. Apesar de estarmos perto do Natal, Papai Noel não existe!
Não acreditem que os escravos foram libertados por idealismo, também existia um pouco disso, mas foram libertados porque os ingleses precisavam de mais mercado consumidor. As mulheres só começaram a ser incluídas quando se tornaram um mercado de consumo independente dos salários dos maridos e pais. Os homossexuais são a atual coqueluche da inclusão porque as empresas descobriram que eles tem dinheiro ! E consomem. Os pobres estão sendo incluídos porque o consumo das classes C e D têm aumentado consistentemente nos últimos anos. Ainda não estamos falando dos miseráveis, esses ainda não são mercado de ninguém.
As pessoas com deficiência são aqueles "estorvos" que geram um monte de despesas sem retorno (adaptações, reformas, versões adaptadas....). O livro digital para cegos não decola porque afronta interesses econômicos. A inclusão escolar tem problemas porque vai contra o modelo competitivo onde cada um quer ser melhor que o outro. A inclusão no trabalho tem de ser enfiada goela abaixo porque essas pessoas "pouco produtivas" (no conceito da sociedade globalizada) nunca seriam contratadas de outra forma.
O desafio que temos para realmente termos uma sociedade que seja justa e acolhedora para todos, é o de construirmos outra sociedade, em que os valores humanos sejam mais importantes que o tamanho do saldo bancário ou as demonstrações de status, de posses e de poder.Enquanto o ser humano for valorizado pelo que ele tem (e cada vez quer ter mais) e não pelo que ele é, não viveremos em uma sociedade que dispense o uso da palavra inclusão.
O Papel das Artes.
Nessa perspectiva, qual é o papel das artes ?
A definição original e abrangente de arte (do latim ars, significando técnica ou habilidade) é o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades, ou num sentido mais amplo, é o conjunto das atividades humanas que visam a expressão de um ideal estético através de uma atividade criativa.
Em algumas sociedades, as pessoas consideram que a arte pertence à pessoa que a criou. Esse é o conceito de propriedade, de arte como valor de mercado, de copyright. Geralmente pensam que o artista usou o seu talento intrínseco na sua criação. Essa visão (geralmente da maior parte da cultura ocidental) reza que um trabalho artístico é propriedade do artista. É o conceito da exclusão do acesso a esse capital privado.
Outra maneira de se pensar sobre talento é como se fosse um dom individual do artista. Os povos judeus, cristãos e muçulmanos pensam dessa maneira sobre a arte. É um conceito individual na criação mas não obrigatoriamente no acesso à coisa criada.
Outras sociedades pensam que o trabalho artístico pertence à comunidade. O pensamento é levado de acordo com a convicção de que a comunidade deu ao artista o capital social para o seu trabalho. Nessa visão, a sociedade é um coletivo que produz a arte através do artista, que apesar de não possuir a propriedade da arte, é visto com importância para sua concepção.
Esse sim é um conceito inclusivo, todos podem criar e produzir a partir de um mesmo contexto social, e a comunidade que ofereceu esse contexto social vai ser beneficiária dessa cultura que ela mesma gerou.
Mas, para chegarmos a essa concepção, precisamos renunciar a alguns absolutos, como diria o Prof. Lino de Macedo e, agora falando especificamente das pessoas com deficiência, se de um lado precisamos lutar para mudar os dogmas da sociedade, também precisamos entender que a pessoa com deficiência é parte de um todo, e não o centro do universo.
Não podemos pensar numa "arte do deficiente" isolada do seu contexto social, senão ela mesma reforça a sua exclusão, e só criamos subcomunidades, cada vez mais isoladas. Um grupo de teatro de autistas, um coral de cegos, uma vernissage de pintores surdos, não é arte inclusiva.
A Helena é uma bailarina. Ponto. Não é uma bailarina com deficiência. O Togu não é um pintor com Síndrome de Down, é um pintor. Ponto. Da mesma forma que o Stevie Wonder não é um músico cego, nem o Itzhac Perlman é um violinista cadeirante. Alguém alguma vez se referiu à Beethoven como aquele compositor surdo ? Inclusão não tem adjetivos, não tem patologias, nem situação social. Ou é ou não é.
Que possamos todos ser artistas sem precisar falar em inclusão.
Observação importante: esse texto não está sujeito a copyright e está sendo distribuído em meio digital.* Esse texto foi publicado anteriormente no
Bengala Legal



Descrição da imagem : pintura de um arco íris, feito por uma menina com Síndrome de Down, onde se lê a frase, originalmente em inglês : o problema não é a minha aparência, mas como você me olha
http://xiitadainclusao.blogspot.com/

domingo, 21 de setembro de 2008

SEGUNDA-FEIRA é dia de ARTETERAPIA no NATIEX !


"Os Dois Cavalheiros de Verona" Nós do Morro no Rio Grande do Sul!!!

Teremos ainda este mês a presença deste grupo carioca com uma amostra deste trabalho, eles estarão apresentando uma peça de William Sheaksper, "Os Dois Cavalheiros de Verona" numa roupagem bem brasileira e de uma qualidade impressionante!
Fiquem atentos... Depois o grupo segue para a terra do autor...e ficará mais dificil, hehehe em Londres!!!!

Em PORTO ALEGRE
QUANDO: 27 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro do Sesc Centro (Av. Alberto Bins, 665)
INGRESSO: Antecipados a partir de 22/09 por R$ 6 para comerciários e dependentes, classe artística, estudantes e idosos; R$ 8 para empresários e R$ 12 para usuários. No dia, duas horas antes do espetáculo na bilheteria, por R$ 7,50 para comerciários e dependentes, classe artística, estudantes e idosos; R$ 10 para empresários e R$ 15 para usuários.
Em PELOTAS
QUANDO: 24 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro Sete de Abril (Praça Coronel Pedro Osório)
INGRESSO: R$ 3 para comerciários e classe artística; R$ 5 para estudantes e idosos e R$ 10 para público em geral. DIA 25 estou ainda na cidade, por conta de um workshop que será ministrado 19h no 7 de abril.

Em SÃO LEOPOLDO
QUANDO: 26 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro Municipal de São Leopoldo (Rua Osvaldo Aranha, 934)INGRESSO: R$ 5 para comerciários, idosos e estudantes, R$ 7 para empresários e classe artística e R$ 10 para usuários e público em geral – os descontos só serão dados mediante apresentação de documento que comprove a categoria.

Em GRAVATAÍ
QUANDO: 28 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro do Sesc Vale do Gravataí (Rua Anápio Gomes, 1241)INGRESSO: R$ 5 para comerciários, estudantes e idosos, R$ 6 para empresários e R$ 8 para usuários e público em geral.

domingo, 14 de setembro de 2008

Quando for ao Rio... vá ao Instituto Benjamin Constant!!!

Nestes dez dias em que estive no Rio, uma das minhas prioridades era conhecer o Instituto Benjamin Constant, afim de observar suas práticas e instalações para o trabalho com a cegueira e a Baixa Visão.
Este instituto foi criado pelo Imperador D.Pedro II através do Decreto Imperial n.º 1.428, de 12 de setembro de 1854, tendo sido inaugurado, solenemente, no dia 17 de setembro do mesmo ano, na presença do Imperador, da Imperatriz e de todo o Ministério, com o nome de Imperial Instituto dos Meninos Cegos.

Atualmente, o Instituto Benjamin Constant vê seus objetivos redirecionados e redimensionados. Possui uma escola, capacita profissionais da área da deficiência visual, assessora escolas e instituições, realiza consultas oftamológicas à população, reabilita, produz material especializado, impressos em Braille e publicações científicas.

A visita foi emocionante, estar lá e ser muito bem recebida foi muito bom, fizemos uma visita guiada por uma das coordenadoras passando por todas as instalações observando aulas práticas... No final da manhã mais uma surpresa, encontrei lá duas colegas que haviam feito um treinamento Técnico em estimulação e habilitação para crianças com baixa visão aqui em Porto Alegre, elas estarão lá até o final do anofazendo especialização em alfabetização Braille e Matemática para pessoas portadoras de deficiência visual. Bom saber que somos muitas pessoas em torno de um mesmo objetivo...







sexta-feira, 12 de setembro de 2008

extensaocientifica@mariomartins.org.br


Encontrei o Nós do Morro


Oi Gente!

Estive no RJ nestes últimos dez dias, um banho de novas energias e de experiências encantadoras!
Pra começar a minha estada foi no Morro do Vidigal onde conheci a ONG Nós do Morro, é um trabalho de transformação social e inclusão baseado na educação e na arte! O satores educadores, voluntários, Fundadores e apoiadores estão de parabéns, o resultado é emocionante.
Aqui no sul teremos ainda este mês uma amostra deste trabalho, eles estarão apresentando uma peça de William Sheaksper, "Os Dois Cavalheiros de Verona" numa roupagem bem brasileira e de uma qualidade impressionante!
Fiquem atentos... Depois o grupo segue para a terra do autor...e ficará mais dificil, hehehe em Londres!!!!