Entre para este grupo!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal!! Au! Au! Au!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota". (Madre Teresa de Calcuta)
Hoje quando eu li este pensamento, lembrei da Prof. Cleidi, que multiplica o conhecimento sobre a Visão subnormmal, seu desenvolvimento e as possibilidades de adaptação que são possíveis para aumentar a capacidade de ver.
Para nós, seres humanos com a visão normal (videntes), com uma cultura pautada pela imagem, pelas expressões corporais(visualizadas), piscadas,sorrisos, caras feias, olhares, caretas, fotos, filmes, letras, placas e sinais... O por-do-sol e o amanhecer, pra maioria das pessoas, tem cores, formas volumes, luzes... mas para algumas tem menos. E até bem pouco tempo não eram dada a estimulação visual para otimizar a visão residual e ampliar o seu mundo perceptivo.
Este trabalho é muito novo, não se trata do atendimento dedicado aos cegos, mas de uma atividade de desenvolvimento da funcionalidade visual, em casos de doenças e malformações dos olhos e nervo óptico, congênitas ou adquiridas. 
Tenho atuado como estimuladora visual e arteterapeuta, como voluntária do Instituto VER. É uma instituição muito nova e com muito poucos recursos, e então pensei: preciso avisar aos possíveis colaboradores como ajudar. Agora estam faltando muitos materiais especializados, mas faltam também coisas simples tais como: lanternas de vários tamanhos, sinalizadores de luz e brinquedos com luzes...  Se você quiser fazer parte deste trabalho entre em contato comigo pelo email eliane_barreto@yahoo.com.br  Obrigada e Feliz Natal!!!


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

...do mesmo ano de nascimento da minha mãe...

Meditação no presépio

Cecília Meireles


Quando São Francisco de Assis inventou o primeiro presépio, e falou das coisas do céu numa gruta, dizem que, ao ajoelhar-se, desceu-lhe aos braços estendidos um Menino todo de luz. O Santo Poeta colocara ali apenas umas poucas imagens: as da Sagrada Família, a do irmão jumento e a do irmão boi. O áspero cenário de pedra tinha a nudez franca da pobreza, a rispidez dos desertos do mundo, o recorte bravio dos lugares de sofrimento. Aí, o Menino de luz pode descer, porque ele vinha para ensinar caminhos difíceis, e restituir às coisas naturais da terra o sentido da sua presença na ordem universal.

O amor humano é um perigoso jogo. Por amor, os homens foram construindo presépios ao longo do mundo, e já não lhes bastava a pedra desguarnecida: queriam recobri-la do ornamento da sua devoção. Trouxeram folhagens e flores, dispuseram frutos e pássaros, desceram o céu, num pálio de seda azul, colheram as estrelas, dos ramos que se alongam na noite. Caçaram a lua, no meio da sua viagem, e pescaram o sol, redondo peixe de nadadeiras flamejantes.

Não lhes bastaram, porém, ainda, esse convite e essa conquista, no reino dos adornos da natureza. Convocaram os habitantes do mundo para uma adoração geral. Trouxeram os pastores, que deviam ser os vizinhos mais próximos da feliz manjedoura; trouxeram os lavradores e os artífices, de acordo com as imaginárias relações da família do recém-nascido.

Mas era preciso não esquecer os Profetas, anunciadores do acontecimento, e das ruas da Bíblia os fizeram descer com suas barbas, seus cajados, suas visões e ainda cheios de voz.

Os Reis vieram por si, de olhos postos na Estrela; e como os Reis traziam os camelos; e os pastores, carneiros, também os Profetas arrastaram leões, e cabras sem defeito — e depois, em muita confusão, toda besta que remói, umas de unha fendida, outras não; e até os animais que caminham sobre o peito e os que têm muitos pés e ainda assim se arrastam pelo chão.

E, puxados uns pelos outros, vieram o cavalo e a mula, o cão e o elefante, o macaco, a hiena, o chacal e o leopardo, e o imundo crocodilo, com a cordilheira dos seus dentes, e a lagosta abominável, sem escama nem barbatana.

Foi talvez a lagosta que açulou os apetites, e os nobres italianos, com aquela pompa que o Renascimento lhes incutiu, trouxeram para os presépios a escamosa alcachofra e o labiado repolho, e cachos de uvas e salsichas, e o queijo e a rosca e o vinho — tudo que o amor ama e, por amor, quer repartir.

E os Profetas trouxeram as Sibilas, e as Sibilas as Cassandras e as Medéias e as Circes, e quem sabe até onde o humano mar se iria aproximando de onda em onda, nessa aglomeração sucessiva para adorar o Menino e ornamentar o Presépio. Homero traria seus argonautas; o rei Artur, seus paladinos; Marco Polo, seus mercadores, Gengis-Khan seus guerreiros — e o negro, o chim, o índio emplumado e o friorento esquimó se acomodariam todos sem dificuldade no recinto mágico presidido por um pobre Menino celestial.

E tão bem se sentiriam que, sem desejo de regresso, iriam buscar suas casas e suas montanhas, seus rios e seus moinhos, seus arados e seus fornos, suas embarcações e suas tendas, e ali se poriam a trabalhar, ao som de doces cânticos ali mesmo inventados, e ali bailariam, com gaitas e sanfonas, adufes e harpas, ocarinas e violas e tudo quanto, com metal, corda ou sopro, é capaz de produzir um som de feitura harmoniosa, comparável ao gorjeio das aves, ao suspiro das águas, ao adejar do vento e à voz humana quando quer ser mais que linguagem.

E o sol e a lua e as estrelas ainda pareceram apagados, para tão ambiciosa festa, e as mulheres e as moças puseram-se a dançar com círios acesos nas mãos, e tudo foi recamado de ouro em pó, e cada qual começou a escolher trajos mais cintilantes, de cetins mais lustrosos, com lavores mais ricos, e do mar e da terra se desentranharam todas as coisas que brilham e deslumbram, e não houve príncipe nem sacerdote nem mercador nem escravo que não gastasse os olhos e as pontas dos dedos, cosendo em seus estofos as gemas que os tornassem mais resplandecentes.

E nesse esplendor de fitas e rendas, de colares e anéis, com os animais de chifres dourados, de testa empenachada, de manto lavrado e guarnições de fina cinzelura, até se recordou que o Menino não podia estar ali despido como simples deus humanado — e teceram-lhe camisinhas e envolveram-no em brancas sedas, e para a tímida Virgem e o submisso carpinteiro trouxeram finas roupagens esmaltadas de cintos e fivelas, com barras de arabescos e densas pregas faustosas.

E as belas canções subiam como, nas hastes gladioladas, abrem os lírios verticalmente, de salto em salto.

E houve assim uma existência de amor, e alguém pensaria estar o mundo apaziguado, e a família terrena compreendida e satisfeita, trabalhando e cantando, bailando e dormindo tendo em redor de si a parede rústica do Presépio.

Mas, na verdade, a parede do Presépio deixara de existir. O que havia eram muitas paredes, de palácios e de mosteiros, de chácaras e de cozinhas de quartéis e de fábricas, de lojas e de manicômios.

Porque essa humanidade se arruinou e adoeceu; esqueceu-se que a oferenda não lhe pertencia, e estendeu a mão para a alcachofra e para a lagosta, para o cavalo do guerreiro e a coroa do suserano, e o que tocava cítara quis brandir espada, e o que varria o estábulo apoderou-se da cítara.

De modo que se chegou a ver o legionário romano, de agulha e dedal, bordando flores sobre cetim, e as dríades empunhando lanças, e os javalis sentados em cadeiras de ouro, abanados por leques de plumas.

Ninguém mais podia amar a sua oferta, mas a do seu vizinho; e já não amava com amor de dar, mas com amor de possuir. E não houve mais quem se despojasse, mas só quem apreendesse.

Notou-se que o sol e a lua e as estrelas não tinham mais sua substância própria: eram de ouro e de gemas, eram pintados e incrustados; não se moviam nem aqueciam mais.

Notou-se que os cantores tinham ficado melancólicos e a dança não se levantava em asas tênues: arrastava caudas fúnebres, patas desconfiadas, pontas de espadas surdas.

E aquilo que foi um Presépio era um mundo de contradições, sem equilíbrio nem sentido. Os Profetas eram
alucinados — e as Sibilas, dementes; os Reis, uns conquistadores mesquinhos; os guerreiros, uns assassinos convictos.

Nuvens de seda e pó de danças toldaram a íntima, pequena cena de um nascimento sobrenatural. Tudo tinha ficado mais importante que o Menino chegado para ensinar o amor. Tudo tinha formado sucessivos planos, anteriores uns aos outros, sobrepostos uns aos outros, escondendo-se uns aos outros, num amontoado de riqueza, ambição, prepotência, vaidade, cobiça, rapina, mentira, traição e ódio.

E tudo isso foi desabando por si mesmo, porque estava armado sem fundamento; e viram-se os Profetas fugitivos, arrastando os animais santificados e os imundos; e as Sibilas recolhiam seus oráculos perdidos, e as Medéias e as Circes enrolaram seus velhos feitiços; e os que tinham vindo por engano choraram pelas palavras que tinham entendido; e os que tinham vindo por verdadeiro amor deixaram pender a cabeça, e foram empurrados na onda devastadora, porque o amor é distraído e desatento de si, sem agressão nem defesa, e fica sempre esmagado, no torvelinho dos atropelos.

Mas quando tudo ruir completamente, — porque sempre chegam novos forasteiros ao Presépio, e cada um se diz o único verídico, o mais sincero e o mais poderoso, o mais rico e o mais fiel — quando tudo ruir completamente, o Menino continuará na sua gruta, com a sua família humilde, o irmão boi e o irmão jumento, para recomeçarem a vida, na simplicidade humana das coisas naturais e universais.

E se outro São Francisco se ajoelhar na gruta rústica, o Menino virá todo em luz aos seus braços, porque só o Santo Poeta entendia dessa irmandade geral do céu e da terra, e da graça de todos os despojamentos, e da alegria de não precisar ter, pela contemplação de todos os enganos, e da leveza da vida em expressão absoluta.

(Rio de Janeiro, revista “Rio”, Dezembro de 1946)


Texto extraído do livro “Cecília Meireles - Obra em Prosa - Vol. 1”, Ed. Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 192.

Saiba tudo sobre a vida e a obra de Cecília Meireles visitando "Biografias".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Museu da ufrgs!!! Tem exposição até dia 19.

" Exposição Arte e Memória: Anos Rebeldes

Curadoria: Fábio Magalhaes

Para marcar os 40 anos de um período de fortes manifestações e repressão em nível mundial, o Museu da UFRGS apresentará a exposição "Arte e Memória: Anos Rebeldes, 1964-1968". Entre os dias 13 de outubro e 19 de dezembro, será possível conferir obras realizadas nas décadas de 60 e 70 por artistas de vários estados do Brasil que expressaram sua contestação política através de suas produções artísticas. O curador da mostra é Fábio Magalhães, que também foi responsável pela curadoria da 2ª e 3ª Bienal do Mercosul.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Tem Atelier de Mosaico para vermos neste Sábado!!!

Cátia tem um mosaico de saberes e práticas em Arte, Educação e Arteterapia, é desta construção interior que ela trouxe para nos presentear este atelier que com certeza será sempre um ponto de encontro dos fazeres, seberes e sentir-se... Estarei lá com ela sempre que possível e sem dúvida amanhã na sua inauguração!!!! O atelier estará aberto durante o dia todo, não deixem de ir! 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Revista O CUIDADOR - Marilice Costi

Foi durante o VIII Congresso de arteterapia que conheci mais este trabalho da Marilice, com toda a correria ele foi direto pra mala e veio comigo para casa. Depois de alguns dias me dei o prazer de ler os artigos contidos nela... Muito bom encontrar colegas e suas experiências... Textos bem escritos sobre temas urgentes, esta é a minha impressão sobre os trabalhos publicados. A iniciativa de torná-la uma publicação bimensal, dedicada a difundir conhecimento pesquisas e experiências no mínimo alimentará esta teia de conhecimentos em contrução da qual fazemos parte. Parabéns Marilice!

Fiquem com um pouquinho sobre a revista OCUIDADOR:
"Vidas inteiras são passadas, de lamento em lamento, de pequenas felicidades, de momentos fugazes e muitas incertezas. Vidas esvaziadas no ato contínuo de dedicação, adoecidas por não saberem como limitar a própria dor e dar-se o direito ao autocuidado. Esta é a vida do cuidador. Um familiar que se incumbe de atender o mais frágil do grupo. Uma mãe abandonada que sustenta, veste, educa os filhos. Sozinha. Ou um pai, um avô. Um profissional da saúde que não sabe o que fazer com a dor do paciente que ajuda a carregar. Um empresário que cuida de seus funcionários porque sabe que, sem eles, sua empresa não sobrevive. Um palhaço de sofre e dá alegria ao outro. Professores que acolhem a diversidade sem o devido preparo. Dores de quem cuida. Humanas.

A revista O CUIDADOR é para quem dedica frações enormes de seu tempo, parecendo a eternidade, devido ao ato contínuo de cuidar, amparar, acolher o outro. Traz alento, carinho, atenção, orientação e informação. Para dar, é preciso ter. E tudo é importante: o ambiente, o alimento, a arte, a escrita, a partilha, o colo, o afeto, o abraço, o sorriso. Os cuidados. Uma revista para todos os cuidadores, que somos nós. E quanto melhor estiver o cuidador, melhor cuidador será!" ( Marilice Costi, editora-chefe.)

Acesse: http://acolhe.blogspot.com

vendasocuidador@sanaarquitetura.arq.br


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Patrícia e Mário


Duas pessoas que surgiram na minha vida em tempos diferentes e sintonias tão semelhantes... o universo sempre nos presenteia com pessoas especiais... conhecer a Patrícia foi mais uma forma "dele" confirmar sua criatividade e amorosidade! Entrem no site dela... seu trabalho é encantador e seu livro também! Bj Patrícia!!!!!!!!!!   http://www.patriciapinna.psc.br 

domingo, 30 de novembro de 2008

Gostinho de 2008... preparando a passagem para 2009!!!

Estarei a partir de hoje compartilhando imagens e depoimentos que fazem parte das oficinas de Arteterapia realizadas este ano... 









terça-feira, 25 de novembro de 2008

A despedida da vida no processo de morte...

"...Antigamente o homem medieval via a doença e a morte como algo natural e dessa forma estavam presentes no cotidiano de todos, sendo tratadas na própria casa do paciente. O doente não precisava esconder sua angústia assim como os familiares podiam se despedir e se preparar para a morte.

Sem deuses, festas e rituais, o homem contemporâneo vive a crise de aceitação do seu aspecto finito, já que a morte é talvez o único aspecto em que a racionalidade ocidental não conseguiu desvendar a ponto de minimizar seus medos.

Atualmente, procura-se distanciar a morte das conversas cotidianas, acabando por fazer desse tema um grande tabu, pois mistificá-la só faz redobrar cada vez mais os medos e receios. Conhecer a morte é recusar uma obsessão, mas também o seu esquecimento é procurar integrá-la na nossa vida a fim de valorizarmos e buscarmos melhores condições de existência. Até porque quase tudo na natureza não foge a essa concepção de começo, meio e fim, pois a morte está em toda a parte enquanto processo..." Este Texto é um fragmento do artigo "A despedida da vida no processo de morte: último fenômeno da existência(Viviane Domingos da C. S. Bantim / e-mail: viviane.dcs@gmail.com) " que integra o Vol. 5, N° 9 (2008) da IGT na Rede e foi publicada em http://www.igt.psc.br/ojs/viewissue.php?id=9

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Conclusão do III Módulo de Arteterapia no NATIEX

O Workshop de encerramento das atividades deste semestre no Núcleo de Atendimento à Terceira Idade do Exército, será Segunda-Feira dia 24 de Novembro de 2008 às 9h . Desta vez será no Espaço Terapêutico da Magda Cunha juntamente comigo Eliane Barreto .
Nesta data estarão também iniciando incrições para o seu novo grupo de Arteterapia na Idade Adulta. Esperamos Você!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Paz sem voz não é paz...é medo. 27/11/2008 - 18:30h


Última Marcha do Sem em Porto Alegre, em 2008
A Criminalização dos Movimentos Sociais: uma cruel realidade é o tema da reunião temática da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do RS que será realizada no dia 27 de novembro, às 18h30. 

O evento, com entrada gratuita, terá a participação de representantes do MST, MNCR, Resistência popular e CPERS. Os mediadores serão os psicólogos Pedrinho Guareschi e Aline Hernandez.

SERVIÇO:
O quê: Debate sobre A Criminalização dos Movimentos Sociais: uma cruel realidade
Quando: 27/11, às 18h30
Onde: auditório do CRPRS (Av. Protásio Alves, 2854/2° andar – Porto Alegre/RS)
Mediadores: psicólogos Pedrinho Guareschi e Aline Hernandez
Debatedores na Roda de Conversa: Representantes do MST, MNCR, Resistência popular e CPERS
Informações: 51. 3334.6799
Entrada franca

Trecho da carta aberta produzida pela Comissão de Direitos Humanos :
"Uma cultura de paz necessita de pioneiros, de pessoas que não aceitem com resignação e nem com silêncio as injustiças, pois: "paz sem voz não é paz é medo". A mudança de paradigma para uma cultura de paz requer justiça que se traduz em atitudes e posições políticas pelo resgate das potencialidades humanas, da saúde e da justiça social. A criminalização dos movimentos sociais no Estado é um tema que deve ser colocado em pauta, compreendido e combatido, pois atinge o espaço político."

domingo, 9 de novembro de 2008

"Criatividade não tem Idade" ganhou publicação!!!

Esperamos vocês na sessão de Autógrafos!!!

Conheçam Marilice Costi

Levando a escrita a sério... este é o título do seu blog, e como é sério redescobrir a palavra como fonte de prazer... de deixá-la escorrer pela boca, pelas mãos, como suco de melancia em tarde de verão. Esta foi a sensação que vivenciei ontem na feira do livro durante a oficina regida pela Marilice foi um feliz reencontro! vejam mais sobre ela no http://www.marilicecosti.blogspot.com/

"nunca mais verão?
se as almas foram jogadas em precipício de pedras pontiagudas,
enraizadas em entontecidos olhares de visões antigas
se os lambrequins foram talvez tempos sinceros
virados para o céu ou para a terra,
são bico em ponta neste instante ao léu
que seguem rajando no arranhar véus"
(Marilice Costi)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Criatividade...mãe e pai da Arte!


Jean-Luc Cornec

Ele encontrou uma maneira curiosa de reciclar velhos aparelhos de telefone. O trabaho se chamaOvelhas-Telefone e está exposto no Museu de Comunicação de Frankfu


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Conheçam Judith Plentz!!!

"A prática artística traz em si a necessidade de se submeter à ações corajosas, criativas e ordenadoras que liberam conteúdos muitas vezes desconhecidos.:: A arte como instrumento terapêutico.:: A instrumentação do profissional - Arteterapeuta.
A realidade expressa na arte (espelho da alma) muito pode comunicar, exercendo uma função no processo terapêutico, principalmente quando outros meios, o pensamento, a palavra estão em desordem ou falha."( J. Plentz)
Hoje eu conheci Judith Plentz, e gostaria que todos os que acompanham este blog a conhecessem. Estou sempre agradecendo ao universo pelas pessoas que ele me trouxe e faço isto mais uma vez por sentir uma grande afinidade de alma com ela e com a Letícia. Aqui está o endereço: http://www.judithplentz.com.br/001_arteterapia.htm

terça-feira, 21 de outubro de 2008

American Association of Art Therapy (Associação Americana de Arteterapia):

“De Acordo com o texto recentemente atualizado, Arteterapia baseia-se na crença de que o processo criativo envolvido na atividade artística e terapêutica é enriquecedor da qualidade de vida das pessoas. Arteterapia é o uso terapêutico da atividade artística no contexto de uma relação profissional por pessoas que experienciam doenças, traumas ou dificuldades na vida, assim como por pessoas que buscam desenvolvimento pessoal. Por meio do criar em arte e do refletir sobre os processos e trabalhos artísticos resultantes, pessoas podem ampliar o conhecimento de si e dos outros, aumentar sua auto estima, lidar melhor com sintomas, estresse e experiências traumáticas, desenvolver recursos físicos, cognitivos e emocionais e desfrutar do prazer revitalizador do fazer artístico.Arteterapeutas são profissionais com treinamento tanto em arte como em terapia. Têm conhecimento sobre desenvolvimento humano, teorias psicológicas, práticas clínicas, tradições espirituais, multiculturais e artísticas e sobre o potencial curativo da arte. Utilizam a arte em tratamentos, avaliações e pesquisas, oferecendo consultoria a profissionais de áreas afins.Arteterapeutas trabalham com pessoas de todas as idades, indivíduos, casais, famílias, grupos e comunidades. Oferecem seus serviços individualmente e como parte de equipe de profissionais em contexto que incluem saúde mental, reabilitação, instituições médicas, legais, centro de recuperação, programas comunitários, escolas, instituições sociais, empresas, ateliês e prática privada. (AATA, 2003)”.Conheça o novo site da Tenda:www.tendaarteterapia.com.br

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Reduzindo Danos Sociais com a Terapia Comunitária

Redução de Danos Sociais através da Terapia Comunitária, este será o tema sobre o que falará Adalberto de Paula Barreto- Doutor em Psiquiatria pela Universidade René Descartes - (Paris/França) - Doutor em Antropologia pela Universidade de (Lyon/França)- Licenciatura em Teologia - Universitas Santo Thomas de Aquino In Urbis(Roma/Itália)- Professor de graduação e pós-graduação de Medicina Social da UFCE- Coordenador do Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária do Ceará- Coordenador do Centro de Estudos da Família do Ceará.


Conheci o seu trabalho no Congresso de Terapia Comunitária do ano passado e desde então tento estar sempre em contato com esta dinâmica de trabalho que vem muito bem ao encontro da arteterapia. Em seu livro "Um Indio Que Vive em Mim", fala muito sobre a gênese deste trabalho mostrando os caminhos por ele percorridos até a elaboração desta metodologia revolucionária, libertária e acessivel a realidade econômica Brasileira.


Quem quiser conhecê-lo vá a esta conferência que se realizará dia 16 de outubro-quinta-feira-às 19:30 horas, no Plenarinho da Assembléia legislativa do Rio Grande do Sul. O ingresso custa R$15,00...


Dias 18 e 19 de outubro ele ministrará o curso vivencial:"Cuidando do Cuidador" no Balneário Pinhal- RS: Rua Navegantes, nº 636Centro
INVESTIMENTO: R$455,00.
MAIS INFORMAÇÕES:Av. Nova York, 339 Porto Alegre/RS
Fones: (51) 3342-1234 e 3343-3737 caif@terra.com.br

domingo, 12 de outubro de 2008

FELIZ DIA DA CRIANÇA!!!!!!!!!!!! !

Vendo as coisas com outros olhos!!!


Eni D’ Carvalho 
Não toque. Don’t Touch. No toque. Non tocchi. Ne touchez pas. Desculpem aí eventuais erros mas placas como essas estão espalhadas em todos os museus e galerias ao redor do mundo. Nem imagino como serão em japonês ou árabe mas estarão lá. Claro que isso é perfeitamente justificável no sentido de preservar obras de arte que não resistiriam aos milhões de toques se não est

ivessem protegidas por vidros, barreiras e correntes de isolamento, alem das placas de aviso.O que restaria da Mona Lisa se estivesse ao alcance de todos os seus visitantes? As

 placas são, portanto, uma advertência óbvia e necessária no sentido de preservar patrimônios irrecuperáveis. Mas o que dizer àquelas pessoas que não podem ver, para as quais o amarelo de van Gogh não pode ser traduzido? Que sentido tem a palavra vermelho para aqueles que nunca distinguiram as cores? Essas pessoas, alem da visão, estão também privadas da arte? Na maior parte das vezes, infelizmente, a resposta é um categórico e incomodativo sim. Esse sim é de tal forma incomodativo para Eni D’ Carvalho

 que ela mal começou sua vida de artista, redirecionou todo o seu talento e criatividade procurando atingir o 

coração dessas pessoas.

Veja com as mãos. Talvez você encontre uma placa assim em Braille em uma exposição organizada por Eni D’ Carvalho – vendo com os olhos do coração

Eni D’ Carvalho usa texturas, formas, aromas, movimentos, vibrações, temperatura, resistência, peso, relevos, reentrâncias e proeminências, dimensões, acidentes, contornos, configurações, sons, música e seja lá o que venha em sua mente criativa para fazer-se perceber por aqueles que não podendo ver com o

s olhos, mantém abertas as portas do coração e da sensibilidade, da inteligência e da curiosidade, para perceber o mundo com os sentidos e com as capacidades que lhes estão disponíveis. A julgar pelos comentários deixados pelos que visitaram suas exposições os resultados ultrapassam amplamente o nível do bom e beiram a classificação do fantástico.

Tridimensionalidade – necessidade óbvia

O trabalho de Eni D’ Carvalho é feito para ser tocado, exatamente por conta da idéia central de destinar-se aos deficientes visuais. Isso significa um desprezo pelas cores? Em absoluto. É fácil perceber a intenção da tridimensionalidade mas é fácil também perceber-se o entusiasmo pelas cores vibrantes e absolu

tamente tropicais que emprestam aos quadros um visual também bonito. Pode sentir-se o trabalho da artista de todas as maneira e em todas elas o efeito é poderoso. Mas certamente ela já pensa em mudar tudo isso porque deseja sempre inovar e desafiar os interlocutores para novas formas de percepção. O que inventará agora? Não sabemos. Provavelmente ela também não mas fazemos um julgamento por uma frase que nos mandou: “quando a gente acha que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.”

E você? De que maneira está olhando tudo isso? - desafio

Os depoimentos são definidores. “A exposição deve ter o nome de “Luz da Alma”, pois permite ao deficiente visual em sua visão imaginária, idealizar uma obra de arte , uma vez que as obras de artes normais não podem ser tateadas.” Ficamos a comparar qual o mais importante para o sentir, se o tato ou a visão e a resposta, aparentemente óbvia, tem lá motivos para muitos devaneios da imaginação. A artista Eni D’ Carvalho nos oferece um trabalho bonito que ultrapassa uma barreira que só raramente é sentida. Na maior parte das vezes quando os artistas pensam em formas e cores, lembram apenas de uma maneira peculiar de percepção com os olhos. E nas galerias, coloca-se imediatamente uma placa estabelecendo limites: “não toque”. Eni arranca a placa e atinge um outro universo, desconhecido para a maior parte de nós.

Museu BlindArt na Inglaterra - Invisuais

Claro que não é a única pessoa a preocupar-se com isso. Na Inglaterra, o BlindArt é uma instituição destinada a produzir e oferecer um ambiente de artes visuais para aqueles que não podem ver, produzida por artistas que também não podem ver e por artistas que tentam compreender essa limitação e suplanta-la, como faz Eni. Conhecido mundialmente o museu promove exposições sistemáticas e cria um ambiente de trabalho profissional, desenvolvendo atividades de largo alcance, sem discutir o que é mais importante, o tato ou a visão, porque esse debate não tem resposta definitiva e nem importa como coisa prioritária. Cada um deve exercer a sua capacidade, vendo com os olhos da alma. É isso o que Eni D’ Carvalho faz. Alem de usar texturas, cheiros, sons, tudo o que pode ser percebido com os outros sentidos, sem perder o contato com as cores, mistura tudo com as vibrações do seu espírito. E consegue ser eloqüente.

Eni D’ Carvalho - ferthi@pib.com.br          

Por Ronaldo Carneiro Leão – vendo as coisas com outros olhos 
E Rê Rodrigues - sentindo com os olhos da alma                                                

 

Olhar Junguiano para a sétima arte!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Teste do Olhinho - Sábado dia 11/10/2008

A Porta (kira Burro)


"Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, a qual haviam gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue.Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
-“Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados”.
Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:
- Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?Diga, soldado.O que havia por de trás de assustadora porta?
Vá e veja.O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.
O soldado admirado apenas olha seu rei, que diz:
- Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?
Não faça a escolha errada, por medo de ousar. A sua felicidade, e a sua realização como pessoa, só dependem de você..."
“Acalente sonhos. Seu futuro está em suas mãos”.


(Este texto lindo pertence à arteterapeuta e artista plática Kira Burro que mora em Gramado-RS. Dá uma espisdinha no blog dela pra ver um pouco do que ela faz... http://arteterapiacomkira.blogspot.com/)



VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ARTETERAPIA
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES NO SITE ABAIXO
www.vjs.com.br/arteterapia

Acontecerá no período de 12 a 15 de novembro de 2008,
no Espaço de Eventos do Hotel Laje de Pedra,
na cidade de Canela no Rio Grande do Sul

terça-feira, 7 de outubro de 2008

ARTETERAPIA na Zero Hora !!!

Porto Alegre, 06 de setembro de 2008 | N° 15718

Pintando para a liberdade

Oficinas supervisionadas por arteterapeutas estimulam a sociabilidade e resgatam a auto-estima de pacientes com transtornos psiquiátricos graves

Os maus resultados e o isolamento na escola eram um sinal de que Gilson de Oliveira Treméa, 36 anos, era diferente das outras crianças. Na juventude, a agressividade repentina insistia em provar que essa diferença era maior do que a família podia supor e com a qual o menino podia lidar. Enquanto médicos erravam o diagnóstico, o jovem abandonou os estudos, teve de deixar um emprego, depois, outro, e viu os amigos se afastarem.

A esquizofrenia esvaziou a agenda de Gilson.

Depois de cerca de cinco anos de investigação médica e mais de R$ 9 mil gastos em remédios e consultas particulares, finalmente a doença foi detectada. Há mais de três anos, o paciente foi encaminhado, por um médico da rede municipal de Alvorada, a oficinas de arteterapia em Porto Alegre. Desde então, as aulas nas quartas e quintas-feiras passaram a ocupar a semana inteira de Gilson.

Quando não está no Projeto Vivendo e Reaprendendo, do Centro de Prevenção e Intervenção em Psicoses (CPIP), no bairro Rio Branco, na Capital, está em casa contando ao pai e aos vizinhos sobre os eventos realizados na entidade ou sobre suas produções no encontro anterior.

– Esse projeto é uma beleza. Ele ficou mais calmo, controlado, e voltou a falar com as pessoas, porque antes não era muito conversador – comemora o pai, o aposentado Victório Angelo Treméa.

Com o Ensino Médio incompleto, um emprego de ascensorista e um curso de bateria para automóveis no currículo, Gilson jamais tivera contato com as artes plásticas antes do projeto. Descobriu o gosto pela pintura – e o talento – nas aulas supervisionadas pela psiquiatra Sandra Maria Soares, presidente fundadora do CPIP.

Na entidade onde cerca de 15 voluntários trabalham para atender 30 pacientes, ele ganhou, além de uma nova rotina, novos amigos, e recuperou a auto-estima. Os ônibus que têm de pegar para chegar ao Centro e o horário a cumprir dão a Gilson a autonomia e a responsabilidade necessárias nos afazeres da casa onde mora sozinho, próxima à do pai, em Alvorada. Mas as atividades do projeto lhe devolveram muito mais do que essa independência.

– Com a doença, ele acaba ficando fora da vida social. Não tem namorada, não estuda, não trabalha, isso tudo que preenche nossa vida e é tão gostoso. De certa forma, o projeto devolveu a pulsão da vida ao meu irmão – conta a psicopedagoga Gisele Treméa Vargas, 43 anos.

Ele conta que gosta do ambiente tranqüilo do CPIP, “onde ninguém o incomoda”, e, ao mesmo tempo, adora conversar com os voluntários e colegas. Nos recessos de inverno e verão, tem saudade das aulas e preenche o tempo com partidas de canastra, filmes aos quais assiste em casa e responsabilidades passadas pelo pai, como pagar contas no banco ou ir ao supermercado.

Ao falar sobre a evolução no quadro clínico dos doentes, Sandra abre um sorriso e conta a história de outra paciente do Sistema Único de Saúde, Maria Jurema Martins Teixeira, 48 anos. Portadora de transtorno do humor, ela começou no projeto há três anos, apresentando um quadro de depressão gravíssimo que a levou à tentativa de suicídio.

– Pagamos um curso para que ela aprendesse a mexer na máquina de costura. Depois, outro para aprender o corte. Começou com a ajuda das voluntárias e hoje produz sozinha, em casa, bolsas de tecido – conta Sandra.

Nos bazares dos quais a ONG participa, Maria fica responsável pela banca das bolsas e voltou a trabalhar na loja da irmã como vendedora, profissão que tinha antes de a doença surgir.

domingo, 5 de outubro de 2008

VIII Congresso Brasileiro de Arteterapia

O VIII Congresso Brasileiro de Arteterapia será realizado no período de 12 a 15 de novembro de 2008, no Espaço de Eventos do Hotel Laje de Pedra, na cidade de Canela no Rio Grande do Sul.

Terá por tema ARTETERAPIA: conhecer e reconhecer sob o ponto de vista de diferentes linhas teóricas; abrangendo públicos e campos do saber diferenciados, nas áreas de saúde, educação e trabalho.

Pensar, dialogar e construir sobre tal diversidade nos move na condução deste Congresso. Para tanto, propomos compartilhar nosso fazer Arteterapêutico, nossas reflexões, dúvidas e experiências, na busca contínua da construção substantiva dessa, que entre nós, ainda é uma profissão nova.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Inclusão... Sempre desafiando!!!

O Desafio da inclusão e o papel das artes (Fábio Adiron)


A convite do núcleo Morungaba participei de um debate sobre esse tema, junto com a Mara Gabrili (então Secretária Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida) e a Helena Maranhão (da cooperativa Pé com Mão da APAC - Associação de Pais e Amigos da Criança com Deficiência Neuromotora).
Qual é o Desafio da Inclusão?
O grande desafio da inclusão é acabarmos com a sua necessidade. Ponto!
Uma sociedade que não precise mais ter secretarias especiais, porque todas as secretarias estarão preocupadas com todos. Uma sociedade que não fique exageradamente feliz quando a Helena conta que acabou de se formar em Biblioteconomia. Uma sociedade onde o Fábio não precise adjetivar a educação que será de todos.
Esse termo só aparece nas nossas vidas quando começamos a nos dar conta de quantos estão excluídos, e estão excluídos por motivos essencialmente econômicos, não vamos nos iludir. Apesar de estarmos perto do Natal, Papai Noel não existe!
Não acreditem que os escravos foram libertados por idealismo, também existia um pouco disso, mas foram libertados porque os ingleses precisavam de mais mercado consumidor. As mulheres só começaram a ser incluídas quando se tornaram um mercado de consumo independente dos salários dos maridos e pais. Os homossexuais são a atual coqueluche da inclusão porque as empresas descobriram que eles tem dinheiro ! E consomem. Os pobres estão sendo incluídos porque o consumo das classes C e D têm aumentado consistentemente nos últimos anos. Ainda não estamos falando dos miseráveis, esses ainda não são mercado de ninguém.
As pessoas com deficiência são aqueles "estorvos" que geram um monte de despesas sem retorno (adaptações, reformas, versões adaptadas....). O livro digital para cegos não decola porque afronta interesses econômicos. A inclusão escolar tem problemas porque vai contra o modelo competitivo onde cada um quer ser melhor que o outro. A inclusão no trabalho tem de ser enfiada goela abaixo porque essas pessoas "pouco produtivas" (no conceito da sociedade globalizada) nunca seriam contratadas de outra forma.
O desafio que temos para realmente termos uma sociedade que seja justa e acolhedora para todos, é o de construirmos outra sociedade, em que os valores humanos sejam mais importantes que o tamanho do saldo bancário ou as demonstrações de status, de posses e de poder.Enquanto o ser humano for valorizado pelo que ele tem (e cada vez quer ter mais) e não pelo que ele é, não viveremos em uma sociedade que dispense o uso da palavra inclusão.
O Papel das Artes.
Nessa perspectiva, qual é o papel das artes ?
A definição original e abrangente de arte (do latim ars, significando técnica ou habilidade) é o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades, ou num sentido mais amplo, é o conjunto das atividades humanas que visam a expressão de um ideal estético através de uma atividade criativa.
Em algumas sociedades, as pessoas consideram que a arte pertence à pessoa que a criou. Esse é o conceito de propriedade, de arte como valor de mercado, de copyright. Geralmente pensam que o artista usou o seu talento intrínseco na sua criação. Essa visão (geralmente da maior parte da cultura ocidental) reza que um trabalho artístico é propriedade do artista. É o conceito da exclusão do acesso a esse capital privado.
Outra maneira de se pensar sobre talento é como se fosse um dom individual do artista. Os povos judeus, cristãos e muçulmanos pensam dessa maneira sobre a arte. É um conceito individual na criação mas não obrigatoriamente no acesso à coisa criada.
Outras sociedades pensam que o trabalho artístico pertence à comunidade. O pensamento é levado de acordo com a convicção de que a comunidade deu ao artista o capital social para o seu trabalho. Nessa visão, a sociedade é um coletivo que produz a arte através do artista, que apesar de não possuir a propriedade da arte, é visto com importância para sua concepção.
Esse sim é um conceito inclusivo, todos podem criar e produzir a partir de um mesmo contexto social, e a comunidade que ofereceu esse contexto social vai ser beneficiária dessa cultura que ela mesma gerou.
Mas, para chegarmos a essa concepção, precisamos renunciar a alguns absolutos, como diria o Prof. Lino de Macedo e, agora falando especificamente das pessoas com deficiência, se de um lado precisamos lutar para mudar os dogmas da sociedade, também precisamos entender que a pessoa com deficiência é parte de um todo, e não o centro do universo.
Não podemos pensar numa "arte do deficiente" isolada do seu contexto social, senão ela mesma reforça a sua exclusão, e só criamos subcomunidades, cada vez mais isoladas. Um grupo de teatro de autistas, um coral de cegos, uma vernissage de pintores surdos, não é arte inclusiva.
A Helena é uma bailarina. Ponto. Não é uma bailarina com deficiência. O Togu não é um pintor com Síndrome de Down, é um pintor. Ponto. Da mesma forma que o Stevie Wonder não é um músico cego, nem o Itzhac Perlman é um violinista cadeirante. Alguém alguma vez se referiu à Beethoven como aquele compositor surdo ? Inclusão não tem adjetivos, não tem patologias, nem situação social. Ou é ou não é.
Que possamos todos ser artistas sem precisar falar em inclusão.
Observação importante: esse texto não está sujeito a copyright e está sendo distribuído em meio digital.* Esse texto foi publicado anteriormente no
Bengala Legal



Descrição da imagem : pintura de um arco íris, feito por uma menina com Síndrome de Down, onde se lê a frase, originalmente em inglês : o problema não é a minha aparência, mas como você me olha
http://xiitadainclusao.blogspot.com/

domingo, 21 de setembro de 2008

SEGUNDA-FEIRA é dia de ARTETERAPIA no NATIEX !


"Os Dois Cavalheiros de Verona" Nós do Morro no Rio Grande do Sul!!!

Teremos ainda este mês a presença deste grupo carioca com uma amostra deste trabalho, eles estarão apresentando uma peça de William Sheaksper, "Os Dois Cavalheiros de Verona" numa roupagem bem brasileira e de uma qualidade impressionante!
Fiquem atentos... Depois o grupo segue para a terra do autor...e ficará mais dificil, hehehe em Londres!!!!

Em PORTO ALEGRE
QUANDO: 27 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro do Sesc Centro (Av. Alberto Bins, 665)
INGRESSO: Antecipados a partir de 22/09 por R$ 6 para comerciários e dependentes, classe artística, estudantes e idosos; R$ 8 para empresários e R$ 12 para usuários. No dia, duas horas antes do espetáculo na bilheteria, por R$ 7,50 para comerciários e dependentes, classe artística, estudantes e idosos; R$ 10 para empresários e R$ 15 para usuários.
Em PELOTAS
QUANDO: 24 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro Sete de Abril (Praça Coronel Pedro Osório)
INGRESSO: R$ 3 para comerciários e classe artística; R$ 5 para estudantes e idosos e R$ 10 para público em geral. DIA 25 estou ainda na cidade, por conta de um workshop que será ministrado 19h no 7 de abril.

Em SÃO LEOPOLDO
QUANDO: 26 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro Municipal de São Leopoldo (Rua Osvaldo Aranha, 934)INGRESSO: R$ 5 para comerciários, idosos e estudantes, R$ 7 para empresários e classe artística e R$ 10 para usuários e público em geral – os descontos só serão dados mediante apresentação de documento que comprove a categoria.

Em GRAVATAÍ
QUANDO: 28 de setembro, às 20h
ONDE: Teatro do Sesc Vale do Gravataí (Rua Anápio Gomes, 1241)INGRESSO: R$ 5 para comerciários, estudantes e idosos, R$ 6 para empresários e R$ 8 para usuários e público em geral.