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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fica a dica: Interação pictórica com materiais diversos!



http://www.viamia.com.br/blog/2010/04/colagens/#.TrkZZA8xMt4.email

domingo, 28 de agosto de 2011

Os papéis do Papel – Post 7 - Interação pictórica com materiais diversos.


     

          Oi espero hoje colaborar para ampliar as possibilidades de exercícios com a linguagem pictórica em papel. Como já havia dito, a pintura sobre o papel com tintas e pigmentos exige um papel com gramatura maior, mas existem outras intervenções que podem ser consideradas aqui, já que a pintura é uma relação que se estabelece com as cores, como elas adquirem  ou produzem significados para nós.
          Existem várias maneiras de se colorir o papel sem ser com tintas, ou seja utilizando as cores pré-existentes em vários materiais. Quando pensamos desta forma é muito importante nos preocuparmos com a base sobre a qual se fará o trabalho. Ela deve ser de um papel grosso, como um papelão, cartolina, papeis de caixas e outros. Esta recomendação se dá porque na colagem de elementos coloridos como pós, grãos, folhas, papéis coloridos e outras, se utilizarmos papéis frágeis teremos rupturas, porque ele tende a derreter com a umidade da cola.
           Utilizando papelão ou papel cartão, podemos trabalhar com a colagem ou com a despintura, caso seja um papelão colorido, como caixas ou cartazes. Para a destintura podemos propor a utilização de um material pontiagudo, como agulhas, estecas, goivas, estiletes ou canetas com ponta de metal, velhas, sem tinta.
           Outra forma de despintura, é a utilização de pinceis ou outro material como varinhas canudinhos... para isso basta usar solvente(não tóxico) ou  Cloro(queboa)para descolorir papéis coloridos como os de revistas,cartazes, papéis de seda, crepon, colorset, etc. Nestes tipos de atividades ao invés de adicionarmos pigmentos retiramos eles conseguindo uma nova configuração cromática.
           Estas não são as únicas formas de pintura não convencional, mas apenas algumas alternativas que podem ser ferramentas úteis na arteterapia. Se você quiser conhecer outras, acesse os sites de Museus de Arte contemporânea, você vai encontrar muitas outras maneiras de intervenção pictórica. Se na sua cidade houver um Museu de Arte Contemporânea ou uma exposição itinerante,  dê uma voltinha e estimule sua criatividade!



domingo, 21 de agosto de 2011

Os papéis do Papel – Post 6 - Papéis para interação pictórica.

                    Quem já não pensou o que se passa na cabeça de um artista enquanto pinta? Existem pinturas das mais variadas formas, figurativas ou não, já que cada ser tem um jeito único de pintar apesar da técnica que utilize. E por que é tão singular? A eleição das cores, claras, escuras, vibrantes ou neutras; do tipo de tinta, espessa, pastosa, aguada... Todas estas escolhas acontecem conscientemente ou não, porém intimamente ligadas ao que vai no interior de quem pinta, costumo dizer que quando eu pinto coloco para fora um universo particular. Assim, quando trabalhamos com a pintura em arteterapia isso toma um foco um pouco diferente, mas não menos importante, pois é neste universo de cada um, que junto com nossos interagentes vamos trabalhar em busca de novas descobertas. Sendo assim ao propormos uma atividade com tinta e papel temos que ter alguns cuidados anteriores: saber especificamente qual é o objetivo da atividade, escolher dentre as possibilidades a mais adequada para aquele grupo ou pessoa, escolher um papel que suporte a tinta que vamos oferecer... O aconselhável é que seja bem espesso, cartolina, papel cartão, Papelão... Com excessão das aquarelas e aguadas que são mais exigentes, necessitam um papel bem absorvente alem de espesso. Se você for trabalhar com papéis reutilizáveis, certifique-se de que este não seja encerado ou plastificado ( geralmente são brilhantes). Outro cuidado interessante é de se oferecer a possibilidade de trabalhar em pé. Por que? Porque assim a ação do interagente com o muda em relação ao papel. neste caso precisaremos bases em cavaletes, painéis ou mesmo pranchetas... A pintura deve secar apoiada sobre uma base simples. Ah e não podemos esquecer, com aquarelas ou aguadas, devemos secar bem para depois transporta-la. Espero ter sido clara sobre a utilização do papel:

  • Quanto mais líquida for a tinta maior a gramatura do papel e maior sua porosidade!
Se você quiser saber mais sobre tipos de papéis vá até
http://www.emporiomichelangelo.com.br/papeis.htm 

domingo, 14 de agosto de 2011

Os papéis do Papel - Post 5


                   O desenho livre como descrevi no último Post, é um excelente recurso para ser utilizado com crianças, já que é um canal de expressão natural. Neste caso, é interessante oferecer um papel resistente. As crianças dependendo de sua idade ou limitação física podem ter dificuldade de controlar a força das mãos e rasgar o desenho se o papel for muito delicado, melhor oferecer papéis com 90g ou mais. Podem ser oferecidos também cartolina, papel cartão e outros resistentes.
                   Se o grupo for composto por adultos enfrentamos outros obstáculos e entre eles talvez o maior seja o constrangimento com relação ao ato de desenhar, principalmente se for um público que não tem por hábito desenhar. Para isso existem muitas técnicas que diminuem esse desconforto.
                   Um relaxamento é fundamental, depois dele todas as atividades são facilitadas, este pode ser acompanhado por uma música suave, ou uma história contada pelo coordenador da atividade. As técnicas do desenho cego podem ajudar: desenho com olhos vendados, desenho com ponta seca sobre papel carbono, desenho com a mão menos dominante, desenho com os pés, com a boca, e outras técnicas que tem por objetivo diminuir a sensação de constrangimento sobre o próprio trabalho, contribuem para que a atenção se foque sobre outros resultados, como sentimentos, lembranças e outros aspectos psicoemocionais. Para estas técnicas podem ser utilizados papéis a partir de 60g, isto para desenho com materiais secos: lápis, caneta esferográfica, giz de cera, pastel, carvão e outros. Caso seja canetinha, pincel atômico, nanquim e outros materiais riscantes úmidos ou desenho com pontas agudas como agulhas ou grafites duros é melhor utilizar papéis acima de 75g. Existem muitas possibilidades de trabalho com desenho em arte terapia, voltarei a falar sobre elas mais adiante. Neste tópico em que falo sobre os papéis para registro gráfico, cabe ainda lembrar as monotipias, a frotagem e as gravuras. Entre essas as derivadas da xilogravura, que pode ser feita sobre isopor, linóleo e outros materiais, apesar de desenhar-se em outro suporte( isopor, madeira, linóleo...), seu registro se dá sobre o papel; para isto se deve utilizar papeis espessos e porosos, para que a tinta utilizada para registrar a gravação não borre ou rasgue a folha. As técnicas possíveis de ser utilizadas para a realização do trabalho de arteterapia são muitas porém não podemos perder de vista que o fazer na arteterapia tem uma significação diferente do fazer artístico.
                   Na arteterapia todo o material eleito tem um objetivo, mobilizar recursos para a melhora da qualidade de vida das pessoas. Por isso a responsabilidade na hora de escolher o material está diretamente ligada ao sucesso do processo em seus objetivos. Imaginem um grupo trabalhando autoestima, ter seus desenhos rasgados ou borrados por falta de adequação do papel? Que tipo de sentimentos esses trabalhos realizados despertarão nos participantes? É bastante adequado que aqueles arteterapeutas que venham de outras áreas de formação que não a das artes, tais como pedagogas, médicos, psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais e outros profissionais; busquem participar de um atelier onde possam desenvolver maior intimidade com as técnicas e materiais de expressão plástica, assim como a busca de um grupo de arteterapia onde possam vivenciar as técnicas. Nós arteterapeutas aprendemos muito quando nos reunimos para vivenciar a arte.

domingo, 7 de agosto de 2011

Os papéis do Papel. Post-4 Papéis para registro gráfico.

              É pelo desenho que eu inicio esta exploração sobre os muitos papeis que o papel pode assumir neste contexto. Aqui não falo somente do desenho de desenhistas, arquitetos ou artistas plásticos; refiro-me também aos rabiscos e desenhos infantis, que todos nós fizemos quando criança e em todo o nosso desenvolvimento até aqui. Vocês já pararam pra pensar que um dia desenharam? Ainda desenham? Ainda se lembram? Muitas vezes com o passar dos anos nos esquecemos disto, junto com outras lembranças, doces ou amargas, alegres ou tristes, aconchegantes ou muito duras. Num encontro de arteterapia uma das possibilidades terapêutica é o desenho e lá está o papel. Porém a sua utilização como suporte para o desenho revela o primeiro de seus muitos papéis. Este por sua vez refere-se à expressão humana que ele revela e é sobre isto que vamos nos debruçar.
Para obter melhores resultados é necessário que nós conheçamos um pouco sobre as qualidades do material. Existem muitos tipos de papel e sendo todos formam uma superfície, todos se prestam ao desenho. É certo que quanto mais liso, menos aderência o mesmo terá ao material riscante; sendo do tipo grafite, lapiz-de-cor, canetinhas, giz de cera giz pastel e bastões de carvão ou pontas secas; principalmente se este papel for encerado, laminado ou plastificado. Algumas empresas disponibilizam muitas informações bastante específicas sobre cada tipo de papel e suas aplicações, porém na maioria tratam da aplicação para a industria. Duas das que encontrei são:
Devemos ter em conta que os papéis para o desenho mais utilizados são o sulfite, o vergê e o canson a partir de 75g/m²,reciclado ou clareado, pois rasgam e amassam com menos facilidade. Já a cor depende de nossa proposta, se for integrativa, disponibilizaremos papéis de formato e cor igual para todo o grupo. Já se for trabalhar as diferenças ou qualidades individuais, quanto mais variado em tamanho e cores melhor. Ao buscar exemplos convido você a observar alguns desenhos que resultaram de outro trabalho realizado anteriormente durante a especialização em arteterapia - Arteterapia com militares: um recurso terapêutico na redução do stress[1] - para buscar nele alguns exemplos de como trabalhamos com o desenho em arteterapia. Para começar é preciso estar aberto, para perceber aquilo que está a nossa frente, tudo é importante: 
  • A folha escolhida: quando queremos conhecer um grupo, uma boa opção é oferecer o papel em vários formatos e tamanhos, a escolha de um ou outro modelo com certeza será reflexo de uma condição interior.  
  • distribuição do desenho;
  • força da expressão;
  • os espaços vazios;
  • as cores; e a relação que é estabelecida entre o papel e o desenhista...











No próximo post (5), vamos nos deter um pouco sobre algumas técnicas de desenho, gravura e frotagem. Para saber mais sobre as possibilidades do desenho sugiro alguns autores como: Arnhem, Bergere, DerdiK; por serem referência na leitura visual.

ARNHEIM, Rudolf. Arte e Percepção Visual. São Paulo - SP. EDUSP. 1980.
BERGER, John. Modos de Ver. Lisboa. Edições 70. 1987.
DERDIK, Edith. Formas de Pensar o Desenho. São Paulo: Ed. Scipione,
BARRETO,Eliane. Arteterapia com militares: um recurso terapêutico na redução do stress.O Cuidador-revista dos cuidadores. Porto Alegre. 2009www.ocuidador.com.br/2009/04/o-cuidador-3-revista-dos-cuidadores.html



[1] Barreto, Eliane. Arteterapia com militares: um recurso terapêutico na redução do stress  O Cuidador-revista dos cuidadores. Porto Alegre. 2009www.ocuidador.com.br/2009/04/o-cuidador-3-revista-dos-cuidadores.html

domingo, 31 de julho de 2011

Os papéis do Papel. Post-3 As classes do papel...


Por serem muitos os aspectos da utilização do papel, vou distribuí-los ao longo do texto em três classes, para uma melhor compreensão:
·        Papéis para registro gráfico – são capazes de servir de suporte para materiais riscantes, marcadores e impressões. São utilizados em sua maioria para Desenhos, gravuras, frotagem.
·       Papéis para interação pictórica – São geralmente espessos, para que possam absorver o líquido que compõe a maioria das tintas, aquelas aquareláveis também precisam deste tipo de papel, para que os trabalhos não se rompam.
·         Papéis de interação escultórica - Aqui a qualidade procurada é aquela que dá estrutura tridimensional aos objetos.
Esta classificação não se pretende categorizante, pelo contrário sempre devemos estar atentos ao fato que em arte, as fronteiras são muito tênues, sendo assim sempre procuro manter a mente aberta às variações. Nestas classes o papel pode assumir níveis intermediários entre uma e outra conforme aquilo que estiver acontecendo no momento de sua utilização. Para Martin Heidegger[1] (1992) a expressão “fenomenologia” é uma forma de fazer-ver tal como se manifesta a realidade. Nesse sentido, não é o estudo do que aparece, mas o fazer-ver no âmbito da experiência.  Manifestar-se desde si implica uma espontaneidade na qual os fazeres quando muito representam a nós mesmos ou a algo que nos diz respeito, porém não se esgotam.
Quero chamar a atenção para a necessidade de uma sintonia com o aqui-agora, e a possibilidade de ampliar esta atitude na hora de escolher uma técnica, buscando viver de instante a instante. Assim a consciência do objetivo e da técnica, é um bom instrumento para fazer a escolha.
Antes de submergirmos nestas categorias, suas técnicas e recursos, quero chamar a atenção para a afinação do nosso ser em seus sentidos perceptivos, disso dependem todas as etapas do trabalho arteterapêutico. A capacitação técnica e teórica também são premissas. Não é preciso lembrar que a arteterapia é uma profissão relativamente nova, porém exige formação específica na área. Sinto muita saudade da Terceira Turma de Especialização em Arteterapia no Contexto Social e Institucional, do Instituto da Família de Porto Alegre, onde me tornei uma arteterapeuta.
Existem vários centros de formação pelo mundo, em nosso país estão reunidas e reguladas pela UBAAT-UNIÃO BRASILEIRA DE ASSOCIAÇÕES DE ARTETERAPIA. Como qualquer outra linha de tratamento, quando trabalhamos com arteterapia devemos ter responsabilidade e estar devidamente capacitados, a saúde do nosso interagente será afetada e somente assim podemos ter maior segurança de que isto será benéfico. Gosto de me referir como interagentes às pessoas que fazem tratamento com um arteterapeuta, isto porque assim como propôs uma amiga e colega naturóloga, Gabriela Ramos, acredito na necessidade do comprometimento de ambas as partes na construção do equilíbrio na saúde. Assim sem correr com o assunto deixo combinado para o próximo post falar sobre Papéis para registro gráfico. Para quem quiser ampliar é só procurar as páginas da AATERGS e da UBAAT.


[1]HEIDEGGER, M A origem da obra de arte. Edições 70, Lisboa, 1992.

domingo, 24 de julho de 2011

Os papéis do Papel. Post-2- Das origens...


A maioria de nós sabe que a nossa sociedade atual está assentada sobre o papel. Os Livros sagrados, os profanos, as receitas, os códigos de lei; em fim os acordos comerciais, a ética e também boa parte da expressão plástica e literária foram feitos tendo papel como base. Num primeiro momento percebemos que ele nos acompanha há muito tempo, mas não podemos perder de vista que ele foi, no inicio, quase que uma obra do acaso. Nossas expressões já vinham sendo registradas desde a pré-história nos meios possíveis: chão, paredes, pedras, ossos, couro, cerâmica e outros materiais serviram como suporte para a manifestação gráfica humana. Vou dedicar este capítulo a esta referência tão importante para podermos seguir pensando sobre os muitos papéis que o papel pode tomar no trabalho com a arteterapia. Em 1575 François de Belleforest[1] confirmou ou a existência destas manifestações na forma de desenhos e ou pinturas na gruta Rouffignac, tão significativas quanto as de Altamira na Espanha. Ambas são vestígios claros da expressão do homem pré-histórico através do desenho e da pintura.
Pela própria proporção destes desenhos podemos pensar quanto de emoção daqueles homens carregam estas imagens.  O desejo pela caça, o temor, o impacto destas imagens na vida daqueles homens foi possivelmente o que levou à sua necessidade de expressão. Fayga Ostrower[2] cita em sua obra a importância das artes para a formação da pessoa, sobretudo, pelo ato de desenhar, gesto este que é natural acontecer em todas as crianças de qualquer parte do mundo, qualquer cultura e em qualquer suporte. Mas com o surgimento do papel, na China em Hunan, inventado por T'sai Lun. Os processos de sua fabricação desenvolveram-se lentamente, e também a divulgação desta técnica pelo mundo, sendo levada por monges para o Japão e chegando à Europa aproximadamente dez séculos depois.
   Nosso protagonista também adquiriu muitas funcionalidades tanto como suporte, como meio de intervenção ou material escultórico. Nos próximos posts me dedicarei às diversas aplicações às quais vivenciei, tanto no percurso das artes como em atendimentos. Estas estão intimamente ligadas pelas técnicas e mesmo em algumas propostas, válidas para a ampliação da saúde num aspecto integral com a prática da arteterapia.

1- PLASSARD, Jean (1999), Rouffignac, le sanctuaire des Mammouthes, Éditions du Seuil, Paris, 99 p.

2- OSTROWER, Fayga. Arte pré-histórica. In: Universos da Arte. 13ª Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1983. p 294-308.

domingo, 17 de julho de 2011

Os papéis do Papel - construindo saberes em arteterapia.


Introdução: 
Fazia muitos dias que eu tentava escrever um texto para abrir esta nova publicação, trata-se de um livro sobre arteterapia para leigos e profissionais. Nele vou falar sobre diversas utilizações do papel possíveis em uma abordagem arteterapêutica, sempre partindo do olhar e da vivência que a arte me proporciona. Minha formação em artes visuais, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, além de me levar ao encontro da arte distante, trouxe a vibração da arte para dentro da minha vida. Este trabalho retoma minhas atividades neste blog e ao final da publicação de todos os fascículos, o livro será disponibilizado no formato e-book como parte de uma pesquisa. Por isso gostaria de convidar as pessoas que queiram colaborar com suas experiências, sugestões ou técnicas a participarem deste trabalho, tendo suas participações respeitadas e devidamente citadas na publicação do livro. A intenção é a de abrir a obra na rede para a participação de outros colaboradores numa reflexão coletiva para a construção de novos saberes para a prática da arteterapia e para sua melhor compreensão pelo público em geral, todos aqueles que acreditam como eu que a arte é imprescindível.
Sabe aquele dia que parece que levantamos com dois pés esquerdos da cama? Em que o trabalho não rende nada... Comecei a escrever esta história num dia assim, com duas mãos esquerdas, os canhotos que me desculpem, mas para um destro é complicado... Hora após hora, a lixeira cada vez mais cheia de folhas de amassadas... Foi na última bola que joguei sem encontrar um “papel” para um suposto protagonista que encontrei minha personagem, estava ali, bem na minha frente na cesta de lixo. Talvez você já saiba que sou arteterapeuta, e com algum tempo de prática começamos a nos dar conta de quanto é um recurso eficiente para lidar com os desafios e conflitos que a vida apresenta, processo às vezes consciente.
Que isto tem a ver com a cesta de lixo, as bolas de papel, a arteterapia e o meu desconforto? Tudo! Ali estava um primeiro exemplo de utilização dos recursos expressivos como recurso terapêutico. Enquanto eu tentava acessar minha criatividade e não conseguia, cresciam em mim sentimentos de frustração e desvalia que só faziam bloquear mais a expressão, sim eu também sinto estas coisas. O questionamento estava dentro de mim fazia muito tempo, a experiência expressiva e plástica também... Então porque estava tão difícil falar sobre as várias formas de utilizar o papel como recurso em arteterapia? Sim, era isto, eu queria... Escrever sobre os muitos papéis que o papel poderia exercer num atelier arteterapêutico, sala de aula, quarto de hospital e em muitos outros aspectos da nossa vida.
Aquelas bolas de papel estavam ali demonstrando o meu descontentamento na forma de papel amassado. Amassado pela minha raiva em não conseguir escrever este primeiro capítulo. O papel do papel neste caso, foi o de receber a minha emoção,possibilitando assim a sua manifestação inofensiva e adequada à minha necessidade. Da mesma forma quando queremos propor, em um atendimento individual ou em grupo,mobilizar e exteriorizar a raiva o papel é uma boa opção. Podem ser utilizador os mais variados tipos de papel seco onde as pessoas possam imprimir seus sentimentos apenas utilizando as mãos. Ele(o papel) pode ser nosso objeto de interação corporal, simplesmente pela possibilidade que ele nos dá de amassar,torcer,furar, rasgar, etc. No momento em que eu coloquei a raiva pra fora de forma adequada, criei um espaço dentro de mim para que o texto fluísse e chegasse até aqui. Da mesma forma quando conseguimos extravazar emoções fortes de forma adequada, colocamos a nossa energia em movimento, desbloqueando nossas possibilidades de observação, elaboração e superação. Este trabalho é despretensioso e bastante coloquial para que seja acessível e agradável a todos que se interessem pelo assunto.
...e foi assim que consegui iniciar este livro, seus fascículos serão publicados sempre aos domingos! Quem quiser entrar em contato e colaborar com esta publicação envie para eliane_barreto@yahoo.com.br